AP Photo/Zoya Shu
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Zelenski assume presidência da Ucrânia e anuncia dissolução do Parlamento

Prioridade de Volodmir Zelenski é conseguir um cessar-fogo em Dombas, região do leste do país controlada por separatistas pró-Rússia

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2019 | 06h38
Atualizado 20 de maio de 2019 | 12h01

KIEV - O ator Volodmir Zelenski tomou posse nesta nesta segunda-feira, 20, como presidente da Ucrânia em um mandato que terá como prioridade acalmar o conflito com os separatistas. A primeira medida anunciada pelo novo líder ucraniano foi a dissolução do Parlamento, com objetivo de obter maioria favorável a seu governo em nova eleição legislativa.

"Dissolvo a oitava legislatura do Parlamento (Rada Suprema)", afirmou diante dos deputados e delegações internacionais reunidas no Parlamento para a cerimônia de posse, apesar das dúvidas jurídicas sobre seus poderes no processo de convocação de eleições antecipadas.

O pleito legislativo na Ucrânia estava previsto para o dia 27 de outubro. O partido de Zelenski ainda não tem representação no Parlamento, que é a encarregada de designar o primeiro-ministro. Zelenski pediu aos deputados que adotem uma série de leis urgentes e destituam de seus cargos vários funcionários de alto escalão, para o que deu um prazo de dois meses, antes da dissolução efetiva do Legislativo.

"Haverá sérios debates jurídicos sobre os termos da dissolução do parlamento", disse Yuri Yakymenko, analista do Centro Razumkov de Estudos Econômicos e Políticos, em Kiev. "Esta situação será resolvida pelos tribunais."

Zelenski também anunciou a prioridade dos meses iniciais de governo: "Nossa primeira tarefa é conseguir um cessar-fogo em Dombas", referência à região do leste do país controlada por separatistas pró-Rússia.  

Antes de chegar à presidência, Zelenski já havia interpretado o papel de presidente na série de comédia de TV "Servidor do Povo" - mesmo nome do partido pelo qual foi eleito. Na produção, ele encarnava um professor de História eleito inesperadamente como chefe de Estado. 

Agora, um mês depois a grande vitória nas urnas sobre o antecessor Petro Poroshenko, Zelenski, de 41 anos, se tornou o presidente mais jovem da Ucrânia na era pós-soviética. Seu discurso de posse foi acompanhado de perto, em busca de pistas sobre seus planos para o mandato, que não foram divulgados durante uma campanha dominada pela desilusão pública com o "establishment" político e na qual ele prometeu "romper o sistema". 

Há alguns meses, a ideia de Zelenski se tornar o verdadeiro presidente da Ucrânia parecia impossível. Quando o ator e comediante anunciou sua candidatura em 31 de dezembro, poucos levaram a sério, mas depois de uma campanha sem precedentes, com base em grande parte nas redes sociais, ele recebeu mais de 73% dos votos no segundo turno de 21 de abril e derrotou Poroshenko. 

Seu antecessor foi eleito há cinco anos com uma onda de apoio público após uma revolta popular pró-Ocidente, o que levou a Ucrânia a viver tempos excepcionalmente difíceis após a anexação da Crimeia por parte da Rússia e à explosão de um conflito armado com separatistas respaldados por Moscou, um confronto que deixou mais de 13 mil mortos. 

Poroshenko evitou o colapso total e iniciou uma série de reformas cruciais, mas foi amplamente criticado por não melhorar o nível de vida dos ucranianos nem lutar de modo eficaz contra a corrupção generalizada.

Zelenski prometeu continuar com o rumo pró-Ocidente do país, mas seus críticos perguntam como enfrentará os grandes desafios do conflito separatista e os problemas econômicos. 

Fixar uma data para sua posse exigiu semanas de negociações e Zelenski, desesperado, chamou os parlamentares de "ladrões". 

"O país precisa de mudanças e reformas fundamentais", afirmou a equipe do presidente na sexta-feira. "Esta é a demanda do povo ucraniano. E para isto, nós precisamos de um Parlamento que funcione", completou a equipe. / AFP

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