Juan Mabromata/AFP
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Aécio bate-boca com Lindbergh por eleição de Macri na Argentina

Um elogio do presidente do PSDB à vitória do candidato oposicionista levou a uma discussão com o senador petista no plenário do Senado

Ricardo Brito - BRASÍLIA , O Estado de S. Paulo

24 de novembro de 2015 | 18h47

BRASÍLIA - Um elogio do presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), à eleição do candidato oposicionista Mauricio Macri para a presidência da Argentina levou a um bate-boca com o senador petista Lindbergh Farias (RJ) no plenário do Senado. O tucano disse que Macri foi eleito com posições claras e ameaça pedir a aplicação da cláusula democrática para suspender a Venezuela do Mercosul em razão de supostos abusos aos direitos humanos. 

"No momento em que o presidente eleito Macri ameaça utilizar a cláusula democrática do Mercosul, se houver qualquer dúvida em relação à lisura do pleito na Venezuela, que se avizinha, ele torna ensurdecedor e constrangedor o silêncio da presidente da República e da diplomacia brasileira", afirmou Aécio Neves. 

Em seguida, Lindbergh Farias disse que o presidente eleito vai adotar uma política neoliberal na Argentina. E cutucou o tucano ao dizer que não houve no país vizinho um pedido de recontagem dos votos, mesmo que a diferença de Macri sobre o candidato derrotado Daniel Scioli tenha sido menor do que a presidente Dilma Rousseff para Aécio no ano passado. 

"O Macri pode ajudar o Brasil, porque vai ser uma espécie de Aécio lá, na Argentina", criticou. "É importante que eles governem lá, e queremos usar esse exemplo, porque tenho certeza de que o governo do Macri vai ser igual ao governo do Fernando Henrique, do Carlos Andrés Pérez, do Menem: vai ser um governo que vai fazer a regressão social e vai retirar direitos dos trabalhadores", completou. 

Ex-candidato a vice na chapa de Aécio, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) rebateu o petista e disse que a derrota de Scioli subiu à cabeça de Lindbergh. Ele disse que o petista se vale de uma fúria que mais lembra o "kirchnerismo do que o petismo, embora haja muita semelhança entre os dois". "Ele já começa agourando um mau governo ao presidente que acaba de ser eleito e para quem a presidente Dilma inclusive abriu as portas para que venha ao Brasil, antes mesmo da sua posse. Quer dizer, ele está sendo mais realista do que o rei", disse Aloysio, ao pedir a Lindbergh que refreasse o entusiasmo. 

O presidente do PSDB fez coro e perguntou em que mundo vive Lindbergh, ao destacar que a oposição apenas cumprimentou o presidente eleito. Ele também rebateu a afirmação de que pediu recontagem de votos - o PSDB pediu uma auditoria das urnas eletrônicas. Reclamou da objeção "raivosa" dos setores do PT que se colocam, segundo ele, contra o aprimoramento do sistema eleitoral. 

Em réplica, Lindbergh disse que não é verdade que o governo esteja de "braços cruzados" em relação à Venezuela. "O Brasil está atuando, sim, na situação da Venezuela, para apaziguar. Tudo o que nós não queremos é que aquilo descambe para uma guerra civil", disse o petista. 

Após outras discussões, o líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS), decidiu colocar panos quentes no embate. "Quero tranquilizar aqueles que estão preocupados aqui, no Senado, se o Scioli perdeu e o Macri ganhou. Os dois têm uma característica única: os dois não são kirchneristas. Então, o que estava em disputa na Argentina agora, nesta eleição, eram dois candidatos que não tinham absolutamente nada com a atual presidente Cristina Kirchner", disse. 


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