Reproução / Twitter Daniel Scioli
Reproução / Twitter Daniel Scioli

Campanha acaba na Argentina e incerteza sobre 2º turno continua

Governista Daniel Scioli tenta assegurar vitória alcançando 40% de votos com distância de 10 pontos para o rival mais bem colocado

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES

23 Outubro 2015 | 02h00

BUENOS AIRES - Ao subir ontem ao palco do Luna Park, casa de shows de Buenos Aires, o governador Daniel Scioli encerrou uma campanha eleitoral iniciada já em 2012, quando era rejeitado dentro do kirchnerismo que agora representa. Assim como seus dois principais rivais, o conservador Mauricio Macri e o ex-kirchnerista Sergio Massa, ele dedicou a reta final a lugares que podem definir se o eleito sairá domingo ou se haverá segundo turno.

Para escolher o roteiro da última semana - é proibido fazer campanha a partir de hoje - o trio usou o resultado da primária obrigatória de 9 de agosto. A votação determinou onde haveria espaço para crescer e três regiões foram foco do trio. 

Duas são óbvias pela quantidade de eleitores - Buenos Aires (8% do eleitorado, de tendência conservadora) e Região Metropolitana (25% dos eleitores, reduto peronista). A terceira é Córdoba, uma província antikirchnerista que ficou “órfã” de candidato após a prévia. A coalizão de Massa venceu lá graças à ajuda do candidato que ele derrotou na escolha interna, José Manuel de la Sota, que teve 1,4 milhão de votos. Esses eleitores migraram para Massa segundo pesquisas, mas ainda são alvo do assédio de Scioli e Macri - que encerrou sua campanha em Córdoba por considerá-los volúveis. 

Massa comandou seu ato de encerramento em Tigre, cidade na qual teve boa avaliação como prefeito (foi reeleito com 73% dos votos em 2011) e ganhou projeção nacional, reforçada no período em que foi chefe de gabinete de Cristina Kirchner, com quem rompeu em 2013. 

Para vencer domingo, Scioli precisa obter 40% dos votos e abrir 10 pontos para o segundo colocado. Segundo a maior parte dos levantamentos, ele conservou os 38,6% que conseguiu em agosto, mas mesmo esses estudos admitem que ele pode atingir o mínimo necessário, em razão da margem de erro. 

Há três anos, quando disse que queria ser presidente, sua manifestação foi considerada “obscena” pelo kirchnerista Aníbal Fernández, hoje candidato a substituir Scioli como governador de Buenos Aires. 

Oscilação. Até a semana passada, Macri caiu e Massa subiu lentamente nas sondagens, algo insuficiente para mudar uma sentença dos analistas: se houver segundo turno em 22 de novembro, será entre Scioli e Macri e ocorrerá por margem estreita.

Mariel Fornoni, diretora da consultoria M&F, aponta uma vantagem de 3 pontos para Scioli no hipotético confronto, mas prefere nem considerar o cálculo. “Se houver nova disputa, é embaralhar e dar as cartas de novo”, disse ao Estado. 

A opinião é reforçada pelo sociólogo e consultor Ricardo Rouvier. “O final seria incerto. É preciso ver a reação do eleitor”, diz o analista, que prevê um afastamento entre Scioli e Cristina se a campanha tiver nova etapa. Segundo Eduardo Fidanza, diretor do instituto Poliarquía, 40% dos votos de Massa iriam para Scioli e 60%, para Macri, o que manteria o governista como favorito. 

Pesariam num segundo turno a motivação do eleitor para voltar às urnas - na capital, seria a sexta vez no ano - e a disposição de políticos eleitos de seguir na campanha. Discute-se também se Massa apoiaria Macri abertamente ou manteria a ambição de ser líder da oposição. 

Líder da coalizão conservadora que obteve 30% na primária, Macri tenta roubar eleitores de Massa argumentando que Scioli está próximo de vencer e é preciso um “voto inteligente”. Massa, cujo grupo obteve 20,5% na prévia, responde que tem mais chance de bater o governista em novembro. Na avaliação do sociólogo Carlos de Angelis, da Universidade de Buenos Aires, a maioria dos eleitores ignora essas estratégias. “O eleitor vota em quem gosta mais e lhe convém. É tão simples quanto inexplicável.”


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