EFE/Andrew Burton/pool/archivo
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EUA prendem embaixador na ONU em investigação sobre corrupção

John Ashe, embaixador de Antígua e Barbuda na ONU que era presidente em 2013, foi acusado, em uma denúncia apresentada em Nova York de receber mais de US$ 500 mil em suborno de Ng Lap Seng, magnata chinês preso no mês passado

O Estado de S. Paulo

06 Outubro 2015 | 18h06

NOVA YORK - Autoridades dos Estados Unidos prenderam um ex-presidente da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira, 6, por envolvimento em um esquema de corrupção abrangente envolvendo um bilionário do setor imobiliário de Macau e quatro outros réus.

John Ashe, embaixador de Antígua e Barbuda na ONU que era presidente em 2013, foi acusado, em uma denúncia apresentada em Nova York de receber mais de US$ 500 mil em suborno de Ng Lap Seng, que queria construir um centro de conferências de bilhões de dólares com patrocínio da ONU em Macau.

Em troca, Ashe disse ao secretário-geral da ONU que o centro precisava ser erguido, afirma a denúncia, surgida na esteira das prisões de Ng e de seu assistente, Jeff Yin, no mês passado por acusações em separado.

A denúncia também acusou Francis Lorenzo, que era vice-embaixador da República Dominicana na ONU, Shiwei Yan, principal executivo de uma entidade nova-iorquina sem fins lucrativos não mencionada, e Heidi Hong Piao, seu diretor financeiro, que segundo a denúncia pagou 20 mil dólares mensais para Ashe exercer a função de “presidente honorário”. As acusações foram apresentadas pelo procurador-geral de Manhattan, Preet Bharara.

O advogado de Lorenzo não tinha nenhum comentário a fazer de imediato sobre as acusações. Os representantes dos outros réus presos na manhã desta terça-feira não foram prontamente identificados.

A denúncia também sustenta que Ashe recebeu mais de 800 mil dólares em propina de empresários chineses para apoiar seus interesses na ONU e em Antígua. Ele também teria  repassado parte do dinheiro para o então primeiro-ministro de Antígua.

Entre 2012 e 2014, Ashe depositou mais de US$ 3 milhões de governos e autoridades estrangeiros em contas de dois grandes bancos americanos, afirma a denúncia.

O caso veio à tona depois da prisão de Ng e Yin no dia 19 por mentirem ao afirmar que os US$ 4,5 milhões que levaram da China aos EUA entre 2013 e 2015 eram destinado a apostas ou a adquirir obras de arte, antiguidades ou imóveis.

A presidência da Assembleia-Geral da ONU é um cargo cerimonial ocupado por um ano e pago pelo país-sede.  / REUTERS 

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