REUTERS/Enrique De La Osa
REUTERS/Enrique De La Osa

Macri formaliza apoio a sua chanceler para comandar ONU

Sul-coreano Ban Ki-moon será substituído em janeiro de 2017

Rodrigo Cavalheiro , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES

20 Maio 2016 | 16h57

O presidente argentino, Mauricio Macri, formalizou na tarde desta sexta-feira, 20, o apoio da Casa Rosada à candidatura da chanceler Susana Malcorra ao posto de secretária-geral da ONU. O sul-coreano Ban Ki-moon será substituído em janeiro de 2017. 

A indicação da engenheira elétrica de 61 anos, é uma estratégia do governo para acelerar a "reinserção da Argentina no mundo", um dos compromissos de Macri após 12 anos em que o kirchnerismo estimulou o protecionismo e o afastamento das potências ocidentais.

"O governo argentino está convencido das condições e capacidade da senhora Malcorra, que lhe permitirão cumprir com sobra as funções do cargo", escreveu Macri em carta dirigida ao presidente da Assembleia-Geral, Mogens Lykketoft, e ao titular do Conselho de Segurança, Amr Abdellatif Aboulatta.

Por um critério de rotatividade, o escolhido desta vez para a ONU tende a ser do Leste Europeu. A búlgara Irina Bokova, à frente da Unesco, braço educacional da ONU, é a favorita, mas não há consenso sobre seu nome entre os integrantes do Conselho de Segurança. O escolhido não pode ser vetado por algum dos cinco membros permanentes: EUA, Rússia, China, Grã-Bretanha e França.

A Argentina decidiu lançar Malcorra como candidata sul-americana porque apareceram também postulantes da Oceania e de Portugal. "Há uma vertente muito forte que diz 'é o momento de ser uma mulher'. Aí surgem alguns nomes e o meu está entre eles", disse no início da semana Malcorra ao Clarín em Londres, onde tentava diminuir a rejeição dos britânicos a sua indicação. Os dois países disputam a soberania das Malvinas (Falklands para Londres). O único representante da região a exercer o posto foi o peruano Javier Pérer de Cuéllar, entre 1982 e 1991.

Até ser escolhida ministra das Relações Exteriores, Malcorra era chefe de gabinete de Ban. Ela começou carreira na IBM e chegou a presidente da Telecom Argentina, onde trabalhou até 2002. A instabilidade argentina a fez sair do país e começar carreira na ONU, no programa mundial de alimentos. Seus contatos como chefe de gabinete foram importantes para garantir as visitas à Argentina do americano Barack Obama, do francês François Hollande e do italiano Mateo Renzi nos primeiros meses de governo de Macri.

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