Eduardo Nicolau/Estadão
Eduardo Nicolau/Estadão

Durante missa em Cuba, papa pede reconciliação na Colômbia

Em celebração para pelo menos 100 mil pessoas em Havana, Francisco também pediu aos cubanos que sirvam às pessoas, e não às ideias

Felipe Corazza, enviado especial, O Estado de S. Paulo

20 Setembro 2015 | 12h06

HAVANA - Durante a missa celebrada em Havana, neste domingo, 20, na praça da Revolução, o papa Francisco não falou apenas aos cubanos. O pontífice pediu, também, pela reconciliação na Colômbia, onde as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o governo vivem um conflito que já dura meio século. "Sustentem todos os esforços que estão fazendo para uma definitiva reconciliação", disse. 

A celebração foi carregada de leituras bíblicas e declarações pessoais do pontífice pedindo mais solidariedade, respeito aos mais frágeis e acolhimento de opiniões contrárias.

Pelo menos 100 mil pessoas acompanharam a celebração na capital cubana. O pontífice foi saudado na chegada e decidiu descer do papamóvel para cumprimentar pessoalmente parte do público. Acompanhado pelo arcebispo de Havana, Jaime Ortega Alamino, Francisco iniciou a celebração no palco montado próximo a um dos prédios mais famosos da cidade - o edifício do Ministério do Interior, com sua efígie de Che Guevara na fachada.

Na homilia, o líder da Igreja Católica pediu que as pessoas deixassem de lado a vontade de exercer a "onipotência" e exortou a todos a servir ao povo, sem servir-se dele.

"Servir significa, em grande parte, cuidar dos frágeis de nossa sociedade, do nosso povo. São os rostos sofridos, desprotegidos. Ser cristão exige cuidar da dignidade de seus irmãos", afirmou.

Em outro ponto sensível da homilia, Francisco deixou clara sua intenção principal ao viajar a Cuba e também de suas ações no pontificado. "Serviço nunca é ideológico. Não servimos a ideias, servimos a pessoas"

Após a missa, o papa segue para um encontro com o presidente do país, Raúl Castro, no Palácio da Revolução. Em seguida, dirige-se à Catedral de Havana para uma celebração com religiosos e convidados. É esperado para hoje, apesar de não integrar a agenda oficial, um encontro com Fidel Castro.

Farc. O comando das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) afirmou esperar que a visita do papa Francisco a Cuba seja também um impulso para as negociações de paz que ocorrem entre os guerrilheiros e o governo colombiano. Homens das Farc e representantes do presidente Juan Manuel Santos discutem, em uma mesa de diálogo estabelecida em Havana há três anos, uma forma de encerrar o conflito que já dura meio século.

Em artigo divulgado nesse sábado, o integrante de Secretariado da guerrilha Carlos Antonio Lozada pediu que os colombianos se inspirem no papa e na retomada do diálogo entre Cuba e os Estados Unidos, mediada por Francisco, para solucionar o confronto. No texto, Lozada afirma esperar que "essa visita papal possa nos trazer novamente uma mensagem de apoio nesse esforço pela paz".

"Estaremos atentos às palavras do papa Francisco, em cada um dos eventos e celebrações que presidirá, tanto em Cuba quanto nos Estados Unidos."

As Farc pediram ao Vaticano que Francisco se reunisse com seus representantes nas negociações de Havana durante a visita à capital cubana que começou nesse sábado. A Santa Sé, no entanto, descartou qualquer intenção de atender ao pedido da guerrilha colombiana, mas reafirmou total apoio às negociações do diálogo de paz.

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