EFE/MIGUEL GUTIERREZ
EFE/MIGUEL GUTIERREZ

Polícia prende 400 pessoas por saques no interior da Venezuela

Governador chavista atribui tumulto ' a grupos de vândalos'; pessoas faziam fila por comida e não havia arroz, leite e farinha

O Estado de S. Paulo

15 Junho 2016 | 15h20

Mais de 400 pessoas, entre elas menores de idade,  foram presas pela Guarda Nacional Bolivariana na cidade de Cumaná, no leste da Venezuela, por saques a supermercados e caminhões de mantimentos, afirmou nesta quarta-feira, 15, o governador do Estado de Sucre, o chavista Luis Acuña. Em virtude da grave crise de escassez de alimentos, os saques e protestos têm se tornado cada vez mais comuns no país. Na terça-feira, um homem foi morto a tiros em meio a protestos na mesma cidade.

"Detivemos pessoas que saíam de supermercados com produtos. Estão sendo investigadas pela procuradoria", disse o governador ao canal Globovisión.

Ele negou que tenha havido uma morte na repressão aos protestos. "Ontem não houve confrontos, nem mortos nem feridos", afirmou Acuña. "Houve vandalismo de grupos criminosos que atacaram alguns mercados."

Segundo moradores de Cumaná, o tumulto começou quando um grupo de pessoas que estava na fila de um mercado a espera de comida se revoltou com a escassez de alimentos, que, segundo pesquisas privadas, atinge 80% da cesta básica. 

.A cidade tentava nesta quarta-feira voltar à normalidade e suas principais vias estavam sob ocupação das forças militares e policiais. Os saques ocorreram em mais de 20 padarias, supermercados e outros comércios em vários pontos da cidade.

Os saques têm aumentado nas últimas semanas no país. Como resposta aos protestos de ontem, o governador decidiu suspender a circulação de motocicletas na capital do Estado por 72 horas - ele alega que grupos armados se utilizam desses veículos para saquear os mercados. 

Entre os produtos mais escassos na Venezuela estão arroz, óleo de cozinha, farinha de trigo e de milho, leite e artigos de higiene e limpeza. A partir de 2013, o governo chavista começou a restringir a oferta de dólares para a iniciativa privada, o que dificultou a importação de insumos para a produção de alimentos. Incipiente e alvo  de corrupção e contrabando, a oferta estatal não atende à demanda. / EFE e AP

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