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Reféns da embaixada dos EUA no Irã receberão indenização após 36 anos

Lei permitirá uma compensação de US$ 4,4 milhões a cada um dos 53 sequestrados em Teerã em 1979 no início da Revolução Islâmica

O Estado de S. Paulo

24 de dezembro de 2015 | 15h36

WASHINGTON - Após passarem 444 dias em cativeiro, e mais de 30 anos buscando reparação, os americanos mantidos reféns na Embaixada dos EUA em Teerã em 1979 finalmente receberão uma compensação. Em meio a uma enorme fatura de gastos transformada em lei na sexta-feira, há uma provisão para cada um dos 53 reféns no valor de US$ 4,4 milhões. O sequestro ocorreu durante a consolidação da Revolução Islâmica, liderada pelo então grão-aiatolá Ruhollah Khomeini. 

Vítimas de outros ataques terroristas patrocinados pelo Estado, como os atentados a bomba contra embaixadas dos EUA na África em 1998, também serão elegíveis a receber o benefício. “Eu tive de parar o carro no acostamento, e basicamente chorar”, contou Rodney Sickmann, um sargento da Marinha americana que trabalhava como segurança da Embaixada dos EUA em Teerã quando ele foi tomado com outros americanos pela multidão enfurecida que invadiu o complexo em 4 de novembro de 1979. 

A lei deve encerrar um episódio, que levou ao rompimento dos laços entre EUA e Irã. O próprio acordo que resultou na libertação dos reféns, em 1981, os impedia de buscar uma reparação. Suas reivindicações legais foram repetidamente bloqueadas nos tribunais, incluindo um apelo negado pela Suprema Corte. O Congresso americano tentou, mas não conseguiu passar leis que dessem alívio a eles. 

Mas este ano a resposta à reivindicação veio de uma decisão que forçou o banco multinacional BNP Paribas, com sede em Paris, a pagar US$ 9 bilhões de penalidade por violar as sanções contra Irã, Sudão e Cuba. Parte desse dinheiro surpreendentemente foi colocado à disposição das vítimas de terrorismo patrocinado pelo Estado. 

Além disso, muitos membros do Congresso estavam motivados pela irritação provocada pelo acordo acertado entre as potências mundiais e o Irã sobre o programa nuclear iraniano. Assinado este ano, o acordo foi visto também como um facilitador para uma eventual retomada das relações entre Teerã e Washington. 

Alguns dos reféns americanos foram submetidos a tortura física e psicológica durante o período de cativeiro. Para eles, o descongelamento das relações seria frustrante e prematuro. 

Muitos dos reféns dizem que se sentiam esquecidos pelo público em geral até o filme Argo, de 2012. Dirigido por Ben Affleck, o filme se concentra na história de seis pessoas que conseguiram escapar da embaixada americana e buscaram refúgio na casa do embaixador canadense Ken Taylor, que morreu em outubro, aos 81 anos. 

Sickmann disse que preferiria que o Irã pagasse a compensação diretamente, assim como a Líbia fez pelas vítimas do atentado contra o voo 103 da Pan Am sobre a cidade de Lockerbie, na Escócia, mas não espera nenhum pedido de perdão de Teerã. “Eles não acreditam ter feito nenhuma coisa errada.” / THE NEW YORK TIMES

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