EFE/MIGUEL GUTIÉRREZ
EFE/MIGUEL GUTIÉRREZ

Uruguai ignora apelo e diz que Venezuela comandará Mercosul

Após reunião com Serra e FHC, chancelaria diz que seguirá regras do bloco e trabalhará pelo diálogo

O Estado de S. Paulo

07 de julho de 2016 | 18h49

MONTEVIDÉU - O ministério de Relações Exteriores do Uruguai afirmou na tarde desta quarta-feira, 7, que pretende passar a presidência temporária do Mercosul à Venezuela conforme previsto nas normas do bloco comercial, apesar da oposição de Brasil, Argentina e Uruguai. Por meio de nota, a chancelaria uruguaia indicou que pretende buscar o diálogo para resolver os problemas que afetam o processo de integração regional. 

"O governo uruguaio, em exercício da presidência pró-tempore do Mercosul, reitera sua posição no sentido de passá-la adiante nos termos estabelecidos nas normas vigentes do bloco", diz o texto. "No cumprimento das responsabilidades inerentes a sua função e tendo em conta as diferenças entre os sócios, buscaremos consenso por meio do diálogo para superar os problemas que afetam o processo de integração regional.

O ministro interino das Relações Exteriores, José Serra, viajou nesta semana ao Uruguai ao lado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para tentar convencer o presidente Tabaré Vasquez a adiar o processo de posse da Venezuela, que atravessa uma grave crise política e econômica. O presidente argentino, Mauricio Macri, disse em entrevista ao diário espanhol ABC que a Venezuela descumpre "todos os direitos humanos".

Desde a vitória da oposição nas eleições parlamentares de dezembro, o Judiciário venezuelano - que dificilmente toma decisões que desagradam ao chavismo - anulou todas as leis aprovadas na Assembleia Nacional. Desde os protestos de rua de 2014 contra Maduro, diversos líderes da oposição foram presos, como Leopoldo López, Antonio Ledezman, ou perderam o mandato, caso de Maria Corina Machado. 

O Paraguai, que estava suspenso do bloco quando a entrada da Venezuela foi ratificada, diz que a atuação do Judiciário venezuelano configura ruptura do regime democrático e por isso o país deveria ser punido. 

Maduro, por sua vez, tem criticado Macri desde sua eleição e acusa o governo interino do presidente Michel Temer de ter dado um golpe de Estado contra a presidente Dilma Rousseff, que responde a um processo de impeachment no Senado Federal. Até a troca de comando nos dois maiores países da região, Caracas tinha em Buenos Aires e em Brasília dois aliados de peso.  A reunião de cúpula do bloco, prevista para esse mês, foi suspensa. /AFP

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