AP Photo/Fernando Llano
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Venezuelanos vão às ruas em apoio a opositores presos

Protestos em várias cidades foram pacíficos e reuniram milhares; Maduro disse que prenderia polícia se houvesse violência

O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2015 | 20h37

CARACAS - Milhares de venezuelanos foram às ruas das principais cidades da Venezuela neste sábado, 30, para exigir a libertação dos dirigentes opositores presos Leopoldo López e Daniel Ceballos, que se mantêm em greve de fome. Em uma manifestação pacífica, os participantes também cobraram a definição de uma data para as eleições parlamentares no país este ano.

Antes do protesto, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, advertiu que se houvesse algum indício de violência, os chefes de polícia dos municípios e dos Estados onde as manifestações ocorreram seriam presos. Segundo Maduro, seu governo “representa a paz e a estabilidade de um país sul-americano”. “Os que querem violência estarão longe, longe”, disse.

Em Caracas, vestidos de branco, os manifestantes percorreram uma das principais avenidas da capital gritando palavras de ordem e exibindo cartazes de apoio a López, Ceballos e outros opositores de Maduro, como o prefeito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma.

Entre os líderes da manifestação estavam as mulheres dos dirigentes presos, ao lado de lideranças do partido Vontade Popular (VP), presidido por López, e outros integrantes da oposição. Lilian Tintori, mulher de López, pediu que a manifestação ocorresse pacificamente. 

O coordenador nacional do VP, Freddy Guevara, e o prefeito do município de El Hatillo, David Smolansky, se uniram a dois vereadores da oposição e rasparam seus cabelos como forma de protesto e apoio a Patrícia Gutiérrez, mulher de Ceballos, que fez o mesmo recentemente em defesa do marido. Ele teve a cabeça raspada ao ser transferido de prisão.

“Temos de trabalhar unidos, sem ódio, sem rancor, reconstruir essa democracia que não existe porque só numa ditadura se vive o que sofremos hoje. Só na ditadura um prefeito é preso”, disse Patrícia no ato de encerramento do protesto.

Além da libertação dos presos políticos, os manifestantes pediram o fim da repressão e da censura no país. Outra exigência foi a definição da data para as eleições parlamentares, que devem ser realizadas com observadores internacionais da Organização de Estados Americanos (OEA) e da União Europeia (UE).

Alexander Tirado e Raúl Baduel também se uniram a greve de fome feita por López e Ceballos na prisão. Além deles, outros seis estudantes venezuelanos estão há três dias sem comer em uma igreja da capital.

Tanto López como Ceballos estão presos há mais de um ano acusados de serem responsáveis pela violência ocorrida nos protestos contra o governo no ano passado, que deixaram 43 mortos. 

O governador do Estado de Miranda e líder do partido opositor Primero Justicia, Henrique Capriles, liderou uma marcha no Estado de Guárico em apoio aos opositores presos. Ceballos está em uma prisão nesse Estado. Capriles tentou visitá-lo, mas as autoridades locais não permitiram, segundo a mídia venezuelana. 

Na terça-feira, a Mesa da Unidade Democrática (MUD) – coalizão opositora da qual o Primero Justicia faz parte – informou que não respaldaria a mobilização. Um dia depois, Capriles confirmou que participaria da manifestação

Carpiles estava acompanhado pelo ex-prefeito da cidade de San Diego, o opositor Vicenzo (Enzo) Scarano. O ex-prefeito também esteve preso por dez meses na prisão militar de Ramo Verde, nos arredores de Caracas, onde está detido Leopoldo López. 

Crime. Ainda neste sábado, Leiver Padilla, suspeito de ter assassinado em outubro o deputado chavista Robert Serra, foi entregue às autoridades venezuelanas, depois de ser extraditado da Colômbia. Conhecido como El Colombia, ele tem dupla nacionalidade. Segundo autoridades venezuelanas, o crime teve motivação política e foi executado por paramilitares colombianos. / EFE e AFP


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