AP Photo/Santi Palacios
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1 milhão de refugiados e imigrantes chegaram à Europa em 2015

Dados foram divulgados nesta terça-feira pelo Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur); Europa enfrenta problemas para lidar com o maior fluxo migratório desde a 2ª Guerra

Jamil Chade, CORRESPONDENTE, O Estado de S. Paulo

22 de dezembro de 2015 | 08h14

GENEBRA - Em 2015, todos os recordes em termos de pessoas forçadas a se deslocar por conflitos e perseguições foram batidos. Segundo o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), um milhão de pessoas cruzaram o mar Mediterrâneo em direção aos países europeus, no maior volume de refugiados desde a 2ª Guerra. 

Os números foram revelados no mesmo momento em que a União Europeia (UE) ainda enfrenta sérios problemas para lidar com a crise dos refugiados. Segundo a ONU, 500 mil sírios entraram pela Europa nesse ano, ante quase 200 mil afegãos. Um total de 800 mil pessoas usaram a rota entre a Turquia e a Grécia para cruzar as fronteiras da Europa. 3,6 mil pessoas, porém, não sobreviveram à travessia.

Uma das propostas, apoiadas pela chanceler alemã, Angela Merkel, é de que sírios em campos de refugiados na Turquia sejam diretamente levados a determinados países europeus e não tenham de percorrer uma das rotas mais perigosas do mundo. Outra proposta é a de se criar uma força europeia para controlar as fronteiras externas do bloco, o que tem sido alvo de críticas de diversos governos.

Para os críticos, a UE tem fracassado em cumprir suas promessas de lidar com a crise. Em setembro, o  bloco prometeu encontrar lugar para reassentar 160 mil refugiados. O ano, porém, deve terminar com apenas 184 pessoas realocadas. A penas 600 casos, dos 22 mil em "necessidade urgente" de sair de campos de refugiados do Oriente Médio, foram analisados. A distribuição de € 3 bilhões para ajudar a Turquia a lidar com os refugiados também teve um impacto mínimo.

Nos primeiros seis meses de 2015, a Alemanha foi o maior receptor de novas solicitações de refúgio - 159 milm que equivalia a praticamente o mesmo volume dos doze meses de 2014. No entanto, a ONU alerta que foi no segundo semestre que a explosão de refugiados ocorreu em direção à Europa. 

Para o Alto Comissário da ONU para Refugiados, António Guterres, o volume de pessoas cruzando as fronteiras também exigirá maior tolerância. A mensagem é voltada justamente aos partidos políticos e governos que, diante de atentados terroristas, tentam justificar barreiras alegando que não podem deixar terroristas entrar em seus países. "Nunca houve uma necessidade tão nítida de tolerância, compaixão e solidariedade para com as pessoas que perderam tudo", disse.

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