100 mil fogem de furacão no México

Dean ganha força e atinge categoria 5, nível máximo da escala Saffir-Simpson, com ventos de mais de 250 km/h

REUTERS, EFE, AFP E AP, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2021 | 00h00

Tulum, México - Após causar destruição no sul da Jamaica no domingo, o furacão Dean passou ontem pelas Ilhas Cayman e ganhou ainda mais força ao seguir para a Península de Yucatán e o Golfo do México, obrigando mais de 100 mil pessoas a sair de áreas ameaçadas. O Dean passou da categoria 4 (ventos de até 249 km/h) para a 5 - a máxima da escala Saffir-Simpson - ontem à noite, quando seus ventos chegaram a 257 km/h. Furacões da categoria 5 são capazes de causar "danos catastróficos". A passagem do Dean pelo Caribe já deixou sete mortos em vários países. Veja mapa interativo com a rota do furacão Dean no site O furacão, que deu ontem uma guinada na direção sul, avançava em direção à península mexicana com uma velocidade de 34 km/h. De acordo com projeções de centros meteorológicos, o Dean chegaria a Yucatán na madrugada de hoje e depois seguiria para a Baía de Campeche, no sudoeste do Golfo do México. Na quarta-feira, o furacão deve chegar à região central do México, entre os Estados de Veracruz e Tampico. O presidente mexicano, Felipe Calderón, encurtou sua visita ao Canadá e volta hoje ao México por causa do furacão. No Estado de Campeche, a sudoeste de Cancún, as autoridades declararam estado de emergência. O governo do Estado de Quintana Roo retirou cerca de 70 mil turistas e 20 mil moradores das áreas de alto risco. Milhares de pessoas se refugiaram em abrigos improvisados em escolas. Procurando evitar o caos após a passagem do Dean, o governo mexicano enviou 4 mil soldados à região. Moradores da península passaram o dia colocando proteções nas janelas e portas, além de estocar comida. Nos supermercados, vários produtos desapareceram das prateleiras. Nos aeroportos, milhares de pessoas tentavam encontrar passagens para deixar Yucatán. Autoridades disseram que o aeroporto de Cancún ficaria aberto enquanto as condições meteorológicas permitissem.A companhia estatal Petróleos Mexicanos anunciou ter retirado todos os 14.354 trabalhadores das plataformas de extração no Golfo do México. O fechamento dos 407 poços de petróleo resultará em perdas de US$ 2.7 milhões de barris por dia. Em Belize, 6 mil pessoas foram retiradas do principal resort turístico do país, o San Pedro, informou o coordenador nacional para emergências, James Jan Mohammed. Na Cidade de Belize, pacientes em estado grave foram retirados dos três principais hospitais e levados para a capital do país, Belmopan. A prefeita da Cidade de Belize, Zenaida Moya, pediu que a população deixe o município, afirmando que os abrigos locais não são seguros o suficiente para agüentar a força do furacão. No Estado americano do Texas, as autoridades continuavam se preparando para a chegada do furacão. O governador Rick Perry alertou que, apesar da mudança de trajetória do Dean, o Estado pode ser afetado. Segundo ele, o centro de emergências do Texas prepara-se "para o pior". Se o furacão mantiver o curso atual, os ventos da parte mais afastada do olho da tempestade devem causar fortes chuvas e inundações no Texas. Na Jamaica, a população ainda avaliava ontem os prejuízos causados pela passagem do furacão. Estradas na costa sul do país estavam bloqueadas por árvores caídas e lama. De acordo com o vice-diretor da Secretaria de Turismo da Jamaica, David Shields, a situação na capital, Kingston, era "aterrorizante". A mudança da trajetória do Dean ajudou o território britânico das Ilhas Cayman, onde os ventos não passaram de 95 km/h. O furacão derrubou árvores e causou pequenas inundações, mas não deixou vítimas. "Estamos felizes porque não tivemos de enfrentar a força total do Dean", disse o governador das ilhas,Stuart Jack. Em 2005, o Caribe foi devastado pelo furacão Wilma, que causou danos de mais de US$ 3 bilhões na região.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.