11 de setembro dos EUA abafa 11/9 do Chile

Os atentados de um ano atrás contra os EUA provocaram o encolhimento das manifestações de apoio ou repúdio a outro importante evento de 11 de setembro ? o ocorrido há 29 anos, com a chegada do general Augusto Pinochet ao poder no Chile. Este ano, houve menos protestos de repúdio ao aniversário do golpe militar de 1973 e poucos atos comemorativos organizados pela Forças Armadas, que tradicionalmente celebravam a data com missas e cerimônias militares. Na quarta-feira, dia 11, o presidente assistirá a uma missa em memória do derrubado e assassinado presidente socialista Salvador Allende. Embora essa data continue dividindo os chilenos entre partidários e detratores do golpe, os meios de comunicação centralizaram este ano suas informações no aniversário dos ataques contra os EUA. No último domingo, as organizações de direitos humanos, o Partido Comunista e familiares dos detidos desaparecidos realizaram antecipadamente uma marcha até o cemitério central de Santiago, onde existe um memorial às vítimas da represssão sob o regime de Pinochet.Essa marcha geralmente terminava com choques entre manifestantes e policiais. A manifestação de domingo passado também terminou em conflito, mas de proporções muito menores do que as dos anos anteriores.O Exército também reduziu suas cerimônias, substituindo-as por outras que buscam estreitar os laços entre os militares e a sociedade civil. Seu novo comandante-em-chefe, general Juan Emilio Cheyre, ordenou no domingo a abertura das portas dos quartéis ao público e, em sua primeira entrevista à imprensa, destacou que uma anistia ajudaria na reconciliação, e que os pedidos de perdão a título pessoal não contribuiriam para recompor uma convivência sadia entre militares e civis.

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