Kelly Guenther/The New York Times
Kelly Guenther/The New York Times

11 de setembro: saiba como foram os atentados terroristas às torres gêmeas e ao Pentágono

Na manhã daquele dia, 19 terroristas ligados a Al-Qaeda subiram à bordo de quatro voos comerciais, que cruzariam o país de Leste a Oeste e cometeram o maior atentado terrorista em solo americano da História

Renato Vasconcelos, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2021 | 10h37
Atualizado 10 de setembro de 2021 | 11h39

A terça-feira, 11 de setembro de 2001, amanheceu como um dia normal nos Estados Unidos. O clima ameno e o céu quase sem nuvens na porção Leste do país ofereciam as condições climáticas ideais para que milhões de passageiros que embarcariam em uma das malhas aéreas mais movimentadas do mundo fizessem um viagem tranquila. Poucas horas depois do nascer do sol, no entanto, o mundo inteiro assistiria em choque ao maior atentado terrorista realizado em solo americano da História.

Na manhã de 11 de setembro, 19 terroristas ligados ao grupo jihadista Al-Qaeda subiram à bordo de quatro voos comerciais, que cruzariam o país de Leste a Oeste, com destino a Los Angeles e São Francisco. As aeronaves nunca chegaram ao destino final. Dois aviões colidiram com as torres gêmeas do World Trade Center, símbolo mundial do mercado financeiro, em Nova York, às 08:46:40 e às 09:03:11 (09h46 e 10h03 em Brasília, respectivamente), no evento mais famoso - e letal - dos atentados daquele dia.

Uma terceira aeronave se chocou contra o Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos EUA, em Arlington, no Estado da Virgínia, às 09:37:46 (10h37 em Brasília). O último avião caiu em uma área descampada da Pensilvânia, por volta das 10h03 (11h03 em Brasília), após a tripulação reagir e impedir que os terroristas tivessem sucesso no ataque - que provavelmente tinha como alvo algum símbolo político do país.

Após os eventos de 11 de setembro de 2001, a Presidência e o Congresso americano nomearam uma Comissão Nacional sobre ataques terroristas aos Estados Unidos, o relatório final reconstituiu os acontecimentos do dia do atentado nos mínimos detalhes. Entenda o que aconteceu no dia do ataque às Torres Gêmeas e ao Pentágono, e os eventos subsequentes.

Quem eram os terroristas das Torres Gêmeas e como eles embarcaram em voos comerciais?

Os atentados ao World Trade Center e ao Pentágono foram arquitetados pelo grupo terrorista Al-Qaeda, então liderado por Osama Bin Laden, que reivindicou publicamente a autoria dos ataques. Participaram diretamente do atentado 19 terroristas suicidas, que se dividiram em quatro grupos e se infiltraram em voos operados pela American Airlines e pela United Airlines.

A Comissão Nacional americana concluiu que os terroristas que executaram o ataque ao World Trade Center se encontraram no Aeroporto Internacional de Logan, em Boston, que fica a cerca de 350 Km de Manhattan. Mohamed Atta e Abdul Aziz al Omari desembarcaram em Boston às 06h45 da manhã, vindos de Portland. Sete minutos depois, Atta fez uma ligação telefônica para Marwan al Shehhi, que estava em outro terminal do aeroporto. A conversa entre os dois, que durou aproximadamente três minutos, foi provavelmente o último contato de ambos.

Entre 06h45 e 07h40, Atta, Omari e mais três homens - os irmãos Wail al Shehri e Waleed al Shehri, e Satam al Suqami - fazem seus check-ins e embarcam no voo 11 da American Airlines. Atta, Omari e Suqami ocupam os assentos 8D, 8G e 10B, na classe econômica, enquanto os irmãos Shehri se acomodam em poltronas na primeira classe (2A e 2B). O voo decola às 07h59.

Enquanto isso, no outro terminal do aeroporto de Logan, Marwan al-Shehhi, acompanhado por outros quatro terroristas - Fayez Banihammad, Mohand al Shehri, Ahmed al Ghamdi e Hamza al Ghamdi -, tentam embarcar no voo 175 da United Airlines. Uma funcionária da companhia aérea ouvida pela comissão afirmou que era evidente que alguns dos homens não tinham familiaridade em viagens de avião, demonstrando dificuldade em entender os procedimentos padrão de segurança. O grupo embarcou e entre às 07:23 e 07:28.

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Outros cinco terroristas se encontraram em Washington D.C., no aeroporto internacional Washington Dulles. Às 07h15, Khalid al Mihdhar e Majed Moqed fizeram check-ins para o voo 77 da American Airlines. Nos 20 minutos seguintes, também realizaram check-in Hani Hanjour e os irmãos Nawaf al Hazmi e Salem al Hazmi. Os cinco só embarcaram às 07h50, após passarem por checagens adicionais de segurança, que não identificaram nada que os impedisse de subirem no avião. Hani Hanjour sentou na cadeira 1B, a mais próxima do cockpit, enquanto os outros terroristas sentaram em duplas, nas fileiras 5 e 12.

O último grupo, formado por Saeed al Ghamdi, Ahmed al Nami, Ahmad al Haznawi e Ziad Jarrah chegou ao aeroporto de Newark, em Nova Jersey. Os terroristas fizeram check-ins entre 07h03 e 07h39 para o voo 93 da United Airlines. Após passarem por dois postos de checagem antes do embarque, os quatro jihadistas subiram no avião entre 07h39 e 07h48, todos com assentos de primeira classe. Nas fileiras 1, 3 e 6.

Todos o terroristas do 11 de setembro passaram pelos procedimentos padrão de segurança estabelecidos para a aviação civil americana na época. Muitos deles chegaram a ser submetidos às medidas mais rigorosas disponíveis até então, como o Computer Assisted Passanger Prescreening System (CAPPS) - ou Sistema de Pré-seleção de Passageiros Assistido por Computador, em tradução livre. Eles também passaram sem reclamações pelos testes com detectores de metal e raio-x.

O relatório da Comissão Nacional dos EUA definiu da seguinte maneira o sucesso dos terroristas:

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Os 19 homens embarcaram em quatro voos transcontinentais. Eles planejavam sequestrar as aeronaves, transformando-as em enormes mísseis guiados, abastecidos com cerca de 11.400 galões (cerca de 51.825 litros) de combustível de aviação. Às 08h da manhã da terça-feira, 11 de setembro de 2001, eles tinham passado por todos as barreiras que os sistemas de segurança da aviação civil americana possuíam para prevenir um sequestro.
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O que aconteceu dentro dos aviões que atingiram o World Trade Center?

O Boeing 767 usado no voo 11 da American Airlines decolou de Boston com destino a Los Angeles com 92 pessoas a bordo. Oitenta e um passageiros (incluindo os cinco terroristas), nove comissários de bordo, o copiloto Thomas McGuinness e o piloto John Ogonowski. A aeronave decolou às 07h59

Por volta das 08h14, quando o Boeing havia alcançado a altitude de 26 mil pés, o voo 11 fez sua última comunicação normal com o centro de controle de tráfego aéreo (ATC) da Administração Federal de Aviação em Boston. Dezesseis segundos depois da transmissão, o ATC passou uma instrução para que os pilotos subissem a uma altitude de 35 mil pés. Não houve retorno.

"Por essa e outras evidências, acreditamos que os sequestradores tomaram o avião às 08h14 ou imediatamente depois disso", assinala o relatório do Comitê americano.

O que se sabe sobre o que se passou dentro do voo 11 se deve basicamente ao relato de duas aeromoças, Betty Ong e Madeline Sweeney, que trabalhavam na classe econômica durante o atentado. Elas conseguiram ligar a partir de airphones da AT&T e relataram o que estava acontecendo à bordo às autoridades em solo.

No começo, algum ou alguns dos terroristas - acredita-se que os irmãos Wail e Waleed al Shehri, que estavam na segunda fileira do avião - esfaquearam dois comissários de bordo que se preparavam para atender os passageiros. Um homem na primeira fileira teve a garganta cortada. Dois comissários de bordo foram esfaqueados - pelo menos um deles com seriedade, precisando ser colocado no oxigênio. Não se sabe ao certo como eles tiveram acesso ao cockpit, mas especula-se que tenham tomado a chave de um dos comissários de bordo feridos ou forçado um deles a enganar o piloto ou copiloto para que abrissem a porta.

Pouco depois, Mohamed Atta, o único terrorista a bordo que sabia como pilotar um avião, teria saído do seu assento na classe executiva em direção ao cockpit, possivelmente acompanhado por Omari. Um passageiro posteriormente identificado como Daniel Lewin, que serviu nas Forças de Defesa de Israel por quatro anos, tentou reagir e acabou esfaqueado por um dos terroristas - provavelmente por Satam al Suqami, que estava no banco imediatamente atrás dele.

Cinco minutos após o sequestro começar, por volta das 08h19, Betty Ong ligou para um escritório da American Airlines na Carolina do Norte, usando um Airphone da AT&T. 

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O cockpit não está respondendo. Alguém foi esfaqueado na classe executiva, e eu acho que usaram Mace [um tipo de gás irritante] que nós não conseguimos respirar. Eu não sei, eu acho que estamos sendo sequestrados
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Betty Ong, comissária de bordo do voo 11 da American Airlines

Às 08:25, os terroristas tentaram se comunicar com a tripulação. O microfone estava sintonizado com o ATC de Boston, que ouviu a mensagem: "Ninguém se mexe. Tudo vai ficar bem. Se vocês tentarem qualquer coisa, vocês colocam em risco vocês mesmos e o avião. Apenas fiquem quietos"

Às 08:26, Ong relatou que o avião estava voando erraticamente. Um minuto depois, a aeronave virou em direção sul. As autoridades americanas começaram a identificar os terroristas, com base no número dos assentos das pessoas que entraram no cockpit sem autorização, repassado por Ong e Sweeney - que entrou em contato, por outro telefone, com o escritório do American Flight Services em Boston. Ela relata que os terroristas disseram haver uma bomba no cockpit

Por volta das 08h44, Ong perde o contato com o escritório da Carolina do Norte, enquanto Sweeney informa: "Algo está errado. Estamos descendo rápido". Ela é questionada se consegue olhar pela janela e determinar onde eles estavam. "Estamos voando baixo. Estamos voando muito, muito baixo. Estamos voando baixo demais", disse Sweeney. Segundos depois, ela volta a falar.

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'Oh meu Deus, nós já estamos muito baixo mesmo'
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Madeline Sweeney, comissária de bordo do voo 11 da American Airlines

E a ligação caiu. O voo 11 da American Airlines atingiu a torre norte do World Trade Center, no centro de Nova York, às 08:46:40.

O voo 175 da United Airlines deveria ter partido em direção a Los Angeles às 08h, transportando 56 passageiros, sete comissários de bordo, o copiloto Michael Horrocks e o piloto Victor Saracini, mas o Boeing 767 só deixou o portão de embarque às 07h58, e a decolagem aconteceu com 14 minutos de atraso - no exato mesmo momento que, estima-se, os terroristas do voo 11 da American Airlines começaram o sequestro do avião.

Às 08:42, a tripulação concluiu seu relatório, no qual comunicou sobre uma "transmissão suspeita" de outro avião - que viria a ser o voo 11 -, logo após a decolagem. Foi a última comunicação do voo United 175 com o solo.

Os terroristas tomaram o controle do avião entre 08h42 e 08h46. Relatos de passageiros e comissários de bordo que conseguiram contato com o solo apontam que a movimentação do grupo foi similar ao que ocorreu no voo 11. Os sequestradores usaram facas, Mace e ameaçaram explodir uma bomba no avião; membros da tripulação foram esfaqueados e piloto e copiloto foram mortos, disseram.

O relatório aponta que a primeira evidência de que algo anormal estava acontecendo com o voo United 175 veio às 08h47, quando códigos da aeronave foram alterados duas vezes em um minuto. Às 08:51, o avião perde altitude e, um minuto depois, o controle de tráfego aéreo de Nova York tenta repetidamente entrar em contato com a tripulação, sem sucesso.

Às 08h52, um homem chamado Lee Hanson recebe uma ligação do filho, Peter, que estava no voo.

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Eu acho que eles tomaram o cockpit. Um atendente foi esfaqueado, e alguém mais na frente pode ter sido morto. O avião está fazendo movimentos estranhos. Ligue para a United Airlines. Diga a eles que é o voo 175, Boston para LA
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Peter Hanson, passageiro do voo 175 da United Airlines

Lee Hanson ligou para o Departamento de Polícia de Easton, cidade onde morava, em Connecticut, e relatou o que ouviu.

Às 09h, Peter Hanson liga novamente para o pai. 

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Eu estou ficando mal, pai. Uma aeromoça foi esfaqueada. Eles parecem ter facas e Mace. Eles dizem ter uma bomba. Está ficando muito ruim no avião. Passageiros estão vomitando e ficando enjoados. O avião está fazendo manobras estranhas. Eu não acho que o piloto está no controle do avião. Eu acho que vamos cair. Eu acho que eles querem ir até Chicago e bater o avião em um prédio. Não se preocupe pai, se acontecer algo, vai ser rápido. Meu Deus, meus Deus
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Peter Hanson, passageiro do voo 175 da United Airlines

A ligação cai. Lee Hanson relatou à Comissão Nacional sobre ataques terroristas aos Estados Unidos que ligou a televisão assim que a chamada com o filho caiu. Ele assistiu ao vivo, às 09:03:11, o avião do voo United 175 bater na Torre Sul do World Trade Center. Todos a bordo - e centenas no prédio - morreram instantaneamente.

O que aconteceu no voo do 11 de setembro que atingiu o Pentágono?

Quando a American Airlines foi informada de que o voo 77, que partiu do aeroporto Washington Dulles com destino a LA, não estava respondendo ao controle de tráfego aéreo, por volta das 08h54, o Boeing 767 que fazia o voo 11 já havia colidido com a Torre Norte do World Trade Center.

O vice-presidente executivo da companhia, Gerard Arpey, determinou que todas as aeronaves da AA permanecessem no solo, por volta das 09h. Minutos depois, quando uma segunda aeronave colidiu com as Torres Gêmeas, autoridades americanas chegaram a pensar se tratar do voo 77. Não era.

O voo 77 decolou de Washington Dulles às 08h20, transportando 58 passageiros, quatro comissários de bordo, o copitolo David Charlebois e o piloto Charles Burlingame.  O sequestro da aeronave aconteceu em algum momento entre às 08h51 e às 08h54 - depois do choque do voo 11.

Os terroristas usaram as mesmas armas e os mesmos métodos dos voos que atingiram as Torres Gêmeas - facas, gás lacrimogêneo e ameaça de bomba. 

Às 08h54, a aeronave muda de curso, seguindo na direção sul. Dois minutos depois, o transponder é desligado. O controle de tráfego aéreo não consegue mais contato com a aeronave. O controle aéreo no aeroporto de Washington Dulles detecta, às 09h32, um objeto em alta velocidade. Dois minutos depois, o aeroporto nacional Ronald Reagan, em Washington, avisa o serviço secreto sobre uma aeronave não identificada estava a caminho da Casa Branca.

A aeronave do voo 77 acertou o Pentágono às 09:37:46, a uma velocidade aproximada de 853 Km/h, matando todos a bordo e civis e militares que estavam no prédio.

O que aconteceu com o voo United 93?

Apenas um dos aviões sequestrados pelos terroristas da Al-Qaeda não atingiram seu objetivo: o voo 93 da United Airlines, que partiu do Aeroporto Internacional Liberty, em Newark, Nova Jersey. Após os terroristas tomarem o controle do cockpit, passageiros e tripulação reagiram, fazendo com que os terroristas tivessem que forçar a queda do avião antecipadamente, em uma área descampada na Pensilvânia.

O Boeing 757 do voo United 93 decolou às 08h42 com o piloto, Jason Dahl, o copilito Leroy Homer, cinco comissários de bordo e 37 passageiros, incluindo os terroristas. O voo deveria ter decolado mais cedo, às 08h10, mas o intenso tráfego nas pistas do aeroporto atrasou a saída. Se tivesse decolado no horário correto, todos os terroristas estariam no ar com uma diferença de, no máximo, 20 minutos. No entanto, o atraso foi suficiente para que a tripulação deixasse o aeroporto sabendo do sequestro do voo 11 da American Airlines.

Com pouco tempo de voo, as autoridades tinham informações sobre os sequestros dos três voos que atingiram os alvos. Quatro minutos após o United 93 decolar, o primeiro avião se chocou contra as Torres Gêmeas. Em solo as autoridades demoraram a tomar decisões. Depois que United e American Airlines suspenderam a saída de novos voos, decidiu-se alertar os voos que já estavam no ar para que reforçassem a segurança do cockpit, mas empresas e controladores de tráfego aéreo não chegaram a uma decisão sobre quem deveria informar os pilotos.

Um funcionário da United Airlines, chamado Ed Ballinger, decidiu avisar por conta própria os 16 voos transcontinentais que a empresa tinha no ar. A seguinte mensagem chegou aos pilotos do United 93 às 09h23:

O cockpit recebeu a mensagem um minuto depois, com o piloto Jason Dahl respondendo às 09h26:

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Ed, confirme a última mensagem, por favor. Jason.
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Os sequestradores atacaram às 09h28. O centro de controle aéreo de Cleveland recebeu as primeiras mensagens segundos depois, com pedidos de "Mayday" e com o barulho de uma discussão com o capitão e o copilito gritando com alguém que invadiu o cockpit: "Saiam daqui".

Após tomarem o avião, o piloto suicida, Ziad Jarrah, comunicou-se com a tripulação, às 09h32. 

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Senhoras e senhores: Aqui é o capitão. Por favor, sentem e permaneçam sentados. Nós temos uma bomba à bordo. Então, sentem'.
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Ziad Jarrah, terrorista do voo United 93

Assim como nos outros voos, os passageiros e a tripulação foram colocados na parte traseira do avião. No entanto, muitos deles - em comparação com os demais voos - conseguiram entrar em contato com amigos, familiares e parentes, que contaram o que havia acontecido em Nova York. Um dos passageiros - não identificado no relatório da Comissão - disse a um parente com quem falava no telefone que uma votação tinha sido realizada, e que eles iam reagir.

Às 09h57, os passageiros se rebelaram contra os terroristas. A gravação do cockpit captou o som abafado da luta entre os passageiros e dos terroristas do lado de fora da sala de comando.

Nos minutos seguitens, Jarrah realizou manobras para os lados e para cima e empinou o nariz do avião, na tentativa de fazer os passageiros caírem. Mas a reação continuou. Às 09:58:57, Jarrah manda que outro terrorista na cabine bloqueie a porta. Menos de um minuto depois, volta a fazer manobras com o avião.

O barulho da luta no lado de fora da cabine não para. Às 10:00:26, um passageiro grita, e é captado pela gravação no cockpit: "Para o cockpit, se não formos, nós vamos morrer".

Às 10h01, Jarrah pergunta a outro terrorista:

- É isso? Eu digo, devemos colocá-lo para baixo?

- Sim. Derrube-o - respondeu o terrorista não identificado pela gravação.

Os passageiros continuaram lutando até às 10:02:23, quando o avião é desviado pela última vez na direção do solo e cai em uma área descampada de Shanksville, no Estado da Pensilvânia.

"Os sequestradores permaneceram no controle, mas devem ter julgado que os passageiros estavam a alguns segundos apenas de derrotá-los", diz o relatório.

As autoridades acreditam que o objetivo dos terroristas no voo United 93 era atingir algum símbolo da República dos EUA, como o Capitólio ou a Casa Branca.

Onde estava George W. Bush no momento do atentado?

No dia do atentado, o assessor do então presidente George W. Bush disse a ele que teriam um dia tranquilo pela frente: Ele visitaria uma escola de educação infantil, em Sarasota, na Flórida.

O presidente dos Estados Unidos recebeu a informação de que a primeira aeronave do voo American Airlines 11 colidiu com o World Trade Center enquanto lia histórias para as crianças da Emma E. Booker Elementary School, às 08h50. Ele continua em sala de aula até que, às 09h05, um assessor entra na sala e fala em seu ouvido: "Um segundo avião atingiu o World Trade Center. A América está sob ataque".

Bush continua na sala de aula por pouco mais de cinco minutos sem esboçar reação. Na sequência, os primeiros esforços são feitos a partir da própria escola infantil. Rodeado de crianças, Bush fez os primeiros comentários à nação sobre o ataque às torres gêmeas.

Por medida de segurança, o presidente ficou dentro do Air Force One, voando, depois de deixar a escola infantil. Antes de voltar para Washington, o presidente parou em duas bases aéreas, em Barksdale, na Louisiana, e em Offutt, em Nebraska. Bush chega a Washington às 19h. Uma hora e meia, em um pronunciamento à nação, o presidente promete punir os culpados pelos ataques.

Quantas pessoas morreram nos atentados de 11 de setembro?

Ao todo, contando as tripulações dos quatro voos, os 19 terroristas e todas as vítimas no Pentágono e no World Trade Center, estima-se que 2.977 pessoas morreram no dia do atentado - a grande maioria delas em Nova York.

Mas os efeitos foram mais longos. Além dos cerca de 3 mil mortos e mais de 6 mil feridos, Nova York ainda não terminou de contar as pessoas doentes de câncer e outros males graves, sobretudo de pulmão, ligados à nuvem tóxica que planou durante semanas sobre o sul da ilha. Em 2011, um estudo publicado na revista científica The Lancet mostrava que essas pessoas enfrentavam riscos maiores de sofrer câncer. Um censo do WTC Health Program, um programa federal de saúde reservado aos sobreviventes dos atentados, detectou câncer em 10 mil deles. 

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