11/9 aumentou isolamento das cabines de aviões

CENÁRIO: J. Mouawad e C. Drew/ NYT

O Estado de S.Paulo

28 de março de 2015 | 02h00

Embora cabines de aviões sejam a última linha de defesa contra agressores externos, não há muitas opções quando a ameaça vem de dentro. Ao aparentemente trancar o piloto para fora do cockpit, o copiloto Andreas Lubitz aproveitou-se de uma das grandes brechas de segurança instituídas no setor aéreo após os atentados de 11 de setembro de 2001.

Além disso, a queda do avião da Germanwings tem levantado discussões sobre como as empresas aéreas cuidam da saúde mental de seus pilotos e evidencia a diferença de protocolo entre companhias europeias e americanas.

Nos EUA, sempre que um dos pilotos deixa a cabine, uma aeromoça deve substituí-lo. Na Europa isso não acontece. Após o acidente, empresas como a EasyJet, a Lufthansa e a Norwegian Airlines tomaram medidas nesse sentido.

"É chocante para mim que não houvesse uma segunda pessoa na cabine", disse Mark Rosenker, ex-diretor da Diretoria de Segurança para o Transporte Nacional dos EUA (NTSB).

Essa regra, no entanto, não tem como objetivo evitar uma suposta má intenção de um dos pilotos, mas evitar que a cabine se tranque durante um problema de saúde dos responsáveis pelo voo.

O acidente da Germanwings também evidencia a falta de controle sobre a saúde mental dos pilotos, em uma indústria que exige foco e disciplina diante de situações de estresse intenso.

Apesar de poucos incidentes do gênero terem ocorrido nos últimos 25 anos, nem mesmo um controle mais rigoroso poderia impedi-los, alerta Rosenker. "Você certamente identifica problemas mais fáceis de saúde mental. Mas coisas mais profundas, ninguém sabe", disse.

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