129 estudantes e 10 professores são resgatados na China

Grande número de vítimas salvas em pequena vila 8 dias após o tremor levanta dúvidas sobre as buscas

The New York Times,

20 de maio de 2008 | 15h55

Oito dias depois do forte terremoto que atingiu o sudeste da China, 129 estudantes e 10 professores foram resgatados de uma pequena cidade isolada em Wenchuan, informou a mídia estatal nesta terça-feira, 20. Reportes sobre o resgate na pequena cidade de Yinxing, trazidos pela agência oficial Xinhua, traziam poucos detalhes sobre a condição de saúde dos estudantes e circunstâncias do salvamento. Foi divulgado, porém, que eles foram transportados para Chengdu, capital da província de capital, em oito helicópteros militares, e levados imediatamente para cuidados médicos.   Veja também: Sobrevivente de terremoto é retirada depois de 195 horas Passa de 40 mil o número de mortos em terremoto Risco de réplica assusta sobreviventes Ouça o relato da jornalista Cláudia Trevisan  Mapa da destruição na China  Entenda como acontecem os terremotos  Especial: antes de depois da tragédia Vídeo com imagens do terremoto    Mais cedo, havia a informação de que 1.100 soldados tinham sido enviados ao vale nos arredores de Yinxing, e estavam prosseguindo com as buscas por sobreviventes de vilarejo em vilarejo na região, que parece ter passada despercebida pelos esforços iniciais de socorro.   A descoberta deste grande número de sobreviventes em uma área onde poucos esforços de ajuda haviam sido concentrados levantam dúvidas sobre as estatísticas usadas pelo governo e mídia para estabelecer uma contagem dos efeitos do desastre.   Quando a China começou o luto nacional de três dias na segunda-feira, a população da província silenciosamente entendeu o ato como um fim não oficial das buscas e resgate das vítimas do terremoto, que segundo o governo já deixou mais de 40 mil mortos somente em Sichuan.   Uma regra conhecida nesse tipo de desastre é de esperar por sobreviventes por até 72 horas. As últimas descobertas de pessoas vivas após mais de uma semana do tremor, no entanto, pode ter derrubado essas normas.   Cidades 'esquecidas'   Na pressa de salvar vítimas, as equipes de resgate freqüentemente passaram rapidamente por pequenas vilas, que algumas vezes até apresentavam sinais de que lá haviam pessoas precisando de ajuda. As autoridades deram essa ordem para focar os esforços em lugares maiores, onde mais pessoas poderiam ser salvas.   Foto: Efe Nas montanhas da central Sichuan, onde as estradas foram completamente cortadas por deslizamentos de terra e pontes quebradas, ninguém sabe quantas vilas foram verificadas às pressas.   Diante dessas questões, os oficiais da propaganda chinesa se moveram para reafirmar seu controle sobre a mídia nacional.   Os jornais no país adotaram um ar solene, com capas sem cores e um tom extremamente nacionalista, convidando os leitores a se juntarem com o governo. Com a manchete continuamente repetida, eles pedem que a nação vá adiante sob o lema 'vai, China!'   A submissão da propaganda coincidiu com o surgimento do presidente chinês, Hu Jintao, no controle mais visível da crise. Antes, em meio às primeiras conseqüências da crise, o primeiro-ministro Wen Jiabao era a face virtual do governo chinês, voando imediatamente à zona do desastre e encorajando as equipes de resgate a continuarem com os trabalhos.   "O foco das nossas reportagens foi gradativamente mudado da situação do desastre para os contos de heroísmo, histórias tocantes e coisas que podem encorajar as pessoas a atravessar as dificuldades que estamos tendo", disse sob anonimato um repórter de uma televisão de Chengdu.   "Se for tempo de questões, como por que a maioria dos prédios que ruíram eram escolas, a conclusão de nosso jornal é que o momento da reflexão ainda não chegou", disse o editor de um jornal de Shanghai.

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