REUTERS/Andrew Kelly
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15 anos após atentados do 11 de setembro, ameaça terrorista nos EUA passa a ser doméstica

Especialistas em combate ao terrorismo explicam que país está fortalecido para ataques de grandes proporções, mas sofre com vulnerabilidade em relação a ações menores e perpetuadas por cidadãos americanos

O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2016 | 12h01

WASHINGTON - Quinze anos após os ataques do 11 de setembro, especialistas americanos em combate ao terrorismo dizem que os EUA estão fortalecidos contra atentados bem planejados, como o realizado em 2001, mas se encontram mais vulneráveis do que nunca a ataques pequenos e caseiros.

As operações antiterroristas têm agora a missão de descobrir e interromper planos dos partidários do grupo Estado Islâmico (EI) e da Al-Qaeda, que se escondem em células menos centralizadas e com a ajuda das novas tecnologias, assinalaram os especialistas.

"Nosso trabalho está ficando mais difícil", disse Nick Rasmussen, diretor do Centro Nacional contra o Terrorismo, em análise realizada esta semana em Washington. A expansão dos meios de contato entre eles, muitas vezes populares aplicativos para celulares, e a possibilidade de comunicação codificada "lhes dá uma vantagem" sobre as agências de inteligência.

Os ataques do 11 de setembro deram sinal verde para os EUA na guerra contra o terrorismo, com enfoque para a Al-Qaeda e o Taliban, mas 15 anos depois o objetivo é focar em grupos como o jihadista Estado Islâmico, que conquistou territórios na Síria e no Iraque, e inspirou ataques na Europa e no território americano. Estes atentados são de menores proporções, mas igualmente mortais e desmoralizantes.

A Al-Qaeda perdeu seu líder, Osama bin Laden, mas opera agora com ramificações e aliados das Filipinas à África ocidental, o que sugere uma ameaça mais complexa. "A realidade é que houve uma metástase" da região do Iraque e da Síria, disse Frank Cilluffo, diretor do Centro de Segurança Cibernética e Nacional da Universidade George Washington. "A ameaça persiste e em alguns casos é mais complexa.”

Uma série de ataques colocaram os extremistas violentos locais no foco das agências de inteligência. Um exemplo é o americano de origem afegã de 29 anos que tinha simpatia por radicais islâmicos e matou 49 pessoas em uma casa noturna de Orlando, na Flórida, voltada para o público LGBT. Em dezembro, um cidadão americano e sua mulher - ambos de origem paquistanesa - mataram 14 pessoas em uma festa de fim de ano em San Bernardino, Califórnia.

O programa sobre extremismo da Universidade George Washington registra 102 pessoas acusadas nos EUA por crimes relacionados ao Estado Islâmico, muitos recrutados pela internet. A inteligência americana acompanha mais de mil casos de possíveis extremistas, disse Rasmussen.

Atualmente, os planos se desenvolvem e são executados mais rapidamente e em pequenas células, o que dificulta a ação dos órgãos antiterroristas. Funcionários americanos acreditam que o EI será derrotado cedo ou tarde no Iraque e na Síria, mas este fato não excluirá sua ameaça extremista.

A desintegração do EI em ambos os países deve enviar milhares de seus partidários, de maneira silenciosa, a diferentes partes do mundo, que poderão aguardar durante anos para formar novas células terroristas. "A ameaça, que acredito será a principal nos próximos cinco anos para o FBI, será a derrota do califado" do grupo EI, disse James Comey, diretor da Agência Federal de Investigações (FBI).

O acontecimento liberará "milhares de perigosos assassinos" entre a população em geral, muitos dos quais se esconderão na Europa. "Estamos diante deste fenômeno obscuro dentro do qual não podemos identificar esta gente".

Veja abaixo: 11 de Setembro: 15 anos dos ataques que mudaram o mundo

Outro grande desafio é a debilidade da inteligência europeia para identificar as ameaças, o que se explica pela fraca cooperação entre as agências de diferentes países. Rasmussen diz que há uma década confiava mais na habilidade dos EUA e de outros países para atuar juntos no combate ao terrorismo. Agora, ele sente que os países estão “descendo ladeira abaixo" e a cooperação apenas se mantém forte nas relações bilaterais.

O centro da luta é contra a ideologia, dizem os oficiais, e os EUA têm tido pouco progresso em combater a propaganda desenhada pelos simpatizantes do EI e da Al-Qaeda. O verdadeiro progresso exige estratégias de longo prazo que envolvam as redes sociais, disse Michael Leiter, da empresa especializada em defesa Leidos, lamentando que há pouco investimento sendo feito na área. / AFP

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