16 milhões correm risco de fome no Sahel, África, apesar da boa colheita, diz ONU

Cerca de 16 milhões de pessoas estão correndo o risco de passar fome no ano que vem na região do Sahel, na África, por causa dos conflitos e rápido crescimento populacional, e apesar de boas colheitas e chuvas, disse um alto funcionário da ONU nesta terça-feira.

MISHA HUSSAIN, Reuters

10 de dezembro de 2013 | 21h13

A violência no norte da Nigéria, norte do Mali e na República Centro-Africana, além de altas taxas de fertilidade, provocam falta de alimentos e elevação dos preços da comida na região de savanas. No Níger, por exemplo, a taxa de fertilidade é de 7,6 filhos por mulher.

A desaceleração econômica mundial e a preocupação com guerras como as da Síria tornou mais difícil levantar doações de recursos para crises humanitárias do Sahel, disse Robert Piper, da agência da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

Os últimos dados da agência mostram que somente 58 por cento do 1,7 bilhão de dólares requerido para 2013 foi providenciado por doadores, disse Piper à Thomson Reuters Foundation, antes do lançamento de um apelo por recursos.

O órgão da ONU examinou a incidência de "insegurança alimentar", que significa condições nas quais as pessoas não são capazes de manter sua dieta normal, em geral por causa de crises como secas, inundações, instabilidade política e aumentos de preços.

No ano que vem a insegurança alimentar no Sahel vai aumentar 40 por cento em comparação com 2013, quando 11,3 milhões de pessoas tiveram alimentação inadequada e precisavam de cerca de 1,7 bilhão de dólares em assistência de doadores, de acordo com dados preliminares da OCHA.

"A crise no Sahel está se distanciando de nós. Os números estão ficando maiores, mesmo considerando que a colheita deste ano foi levemente melhor do que a média dos últimos cinco anos", afirmou Piper, coordenador da OCHA para o Sahel.

"O rápido crescimento da população significa que a mesma quantidade de comida tem de alimentar mais bocas. Portanto, apesar de um pequeno aumento na produção total de alimentos, na média há 13 por cento menos comida por pessoa."

Nigéria e Senegal registraram o maior salto no número de pessoas classificadas em condições suscetíveis de causar fome, passando de 44.000 para 2,4 milhões e de 700.000 para 2,2 milhões, respectivamente.

"A insegurança alimentar na Nigéria está parcialmente relacionada com o conflito no norte, que foi exacerbado desde que o governo decretou estado de emergência em maio", disse ele.

A intervenção militar do presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, contra a seita islamista Boko Haram este ano deixou centenas de mortos e levou cerca de 10.000 refugiados a fugirem para o Níger e Camarões.

A falta de alimentos no Senegal pode estar sendo causada por chuvas irregulares, preços elevados e safras ruins, mas o conflito de baixa intensidade na região de Casamance pode também ser responsabilizado, afirmou.

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