190 mil paquistaneses fogem do confrontos na fronteira afegã

Agência de refugiados da ONU afirma que combates entre Exército e Taleban aumentaram temores na região

Agência Estado e Associated Press,

14 de outubro de 2008 | 12h56

Quase 190 mil pessoas fugiram dos choques entre o Exército do Paquistão e milicianos ligados ao Taleban e à rede extremista Al-Qaeda perto da fronteira com o Afeganistão no decorrer dos últimos meses, informou nesta terça-feira, 14, a Organização das Nações Unidas (ONU). O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) anuncio em Islamabad que o número inclui mais de 20 mil paquistaneses e afegãos que já fugiram para a província de Kunar, no Afeganistão, desde o início de agosto, quando tiveram início os choques. De acordo com o Exército do Paquistão, mais de mil supostos militantes morreram na ofensiva deflagrada em Bajur, na fronteira com o Afeganistão. Não há detalhes sobre civis mortos no conflito. Nos mais recentes episódios de violência ocorridos em Bajur, 17 supostos rebeldes e dois milicianos pró-governo morreram em meio a confrontos ocorridos nesta terça-feira.  Citando dados fornecidos pelo governo paquistanês, o Acnur informa por meio de um comunicado que 168.463 pessoas refugiaram-se em outras partes do Afeganistão desde o início da ofensiva. O Acnur ressalvou, porém, que não conseguiu averiguar de forma independente as informações fornecidas pelo governo do país. De acordo com a entidade, a maioria dos refugiados no lado afegão da fronteira e os deslocados internos no Paquistão está morando atualmente em casas de familiares e amigos. O Acnur informou também que recebe em acampamentos temporários aqueles que não conseguiram abrigar-se dessa forma. Enquanto isso, a polícia paquistanesa interroga um cidadão americano de 20 anos preso perto da fronteira com o Afeganistão. O rapaz, que identificou-se como estudante, foi detido na noite de segunda em um posto militar na região de fronteira vestindo trajes típicos da região e levando consigo um computador portátil. A Embaixada dos Estados Unidos em Islamabad está em busca de informações sobre a detenção. Violência no Afeganistão Os bons resultados das tropas lideradas pelos Estados Unidos no Iraque prejudicaram o Afeganistão, afirmou o ministro de Defesa afegão nesta terça-feira. Segundo ele, os sucessos norte-americanos levaram insurgentes bem treinados e com armamentos sofisticados a se transferirem para o território afegão, o que seria em parte responsável pela piora da segurança nesse país. Para o ministro, general Abdul Rahim Wardak, os rebeldes foram "desviados" para o Afeganistão. Nesta terça-feira uma bomba matou três soldados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no leste afegão, e duas bombas no sul do país deixaram 16 civis mortos, segundo funcionários do governo. "O sucesso das forças de coalizão no Iraque e também algumas questões em países vizinhos tornaram possível que houvesse um grande aumento nos combatentes estrangeiros", afirmou Wardak em entrevista coletiva. "Não há dúvida de que eles estão (melhor) equipados que antes. Eles estão bem treinados, mais sofisticados, sua coordenação é bem melhor." O principal comandante dos EUA no leste afegão, general Jeffrey Schloesser, disse no mês passado que houve um forte aumento na presença de militantes estrangeiros no Afeganistão, incluindo árabes e chechenos. Segundo Schloesser, sites usados por militantes recomendam que os extremistas deixem o Iraque e sigam para o território afegão. "Eu não posso provar que eles estão indo do Iraque para o Afeganistão, mas eu vi em sites que é isso que lhes estão recomendando." A violência cresceu no país desde o fim de 2005. Mais de 4.700 pessoas - a maioria supostos militantes - foram mortas em incidentes relacionados à insurgência neste ano. A contagem é feita pela Associated Press, a partir de números de funcionários afegãos e ocidentais.

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