AP Photo/Herman Knippertz
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20 anos sem Diana: Morte da princesa deixou mundo de luto e abalou a monarquia

Lady Di morreu no dia 31 de agosto de 1997 em um trágico acidente de carro; apesar de não ter direito ao título de nobreza em razão de seu divórcio do príncipe Charles, britânicos exigiram uma homenagem à altura daquela que foi o símbolo de uma geração

O Estado de S.Paulo

31 Agosto 2017 | 07h00

LONDRES - No dia 31 de agosto de 1997, a princesa Diana morreu em um acidente de trânsito em Paris. Durante uma semana, até o funeral acompanhado por uma multidão, o Reino Unido passou por um momento de luto sem precedentes que estremeceu a monarquia.

Divorciada há um ano do príncipe Charles, a mulher de 36 anos e seu namorado, o produtor de cinema egípcio Dodi Al-Fayed, foram perseguidos durante todo o verão no Mediterrâneo pelos paparazzi.

No dia 30 de agosto, o casal chegou durante a tarde a Paris e foi jantar no Ritz, um hotel de luxo na Praça Vendôme, antes de tentar deixar o local de modo discreto por volta da meia-noite em um Mercedes. Perseguido por fotógrafos que estavam em uma motocicleta, o automóvel entrou em alta velocidade em um túnel e bateu em uma pilastra de cimento.

Diana foi retirada pelas equipes de emergência do Mercedes destruído. Dodi Al-Fayed e o motorista, que segundo a investigação tinha um nível elevado de álcool no sangue, morreram na hora. O segurança ficou gravemente ferido.

Sete fotógrafos foram detidos. No dia seguinte, as fotos do acidente foram vendidas para revistas por US$ 1 milhão.

A princesa, que sofreu uma grave hemorragia interna, foi transportada para o hospital Pitié-Salpêtrière. Às 4h, foi declarada morta. O embaixador da França ligou para os assistentes da rainha Elizabeth II em Balmoral, na Escócia, onde o duque de Edimburgo, o príncipe Charles e seus filhos, os príncipes William, então com 15 anos, e Harry, de 12, passavam o verão.

“Princesa do povo”

O Reino Unido acordou de luto. Sem conter as lágrimas, centenas de londrinos começaram a depositar flores diante dos Palácios de Buckingham e Kensington, a residência da princesa. Com a voz embargada pela emoção, o então primeiro-ministro, o trabalhista Tony Blair, prestou uma homenagem à "princesa do povo".

O mundo inteiro expressou consternação com a morte. O presidente americano, Bill Clinton, disse que estava "profundamente entristecido". Na Índia, madre Teresa rezou por Diana. Michael Jackson, "consternado", cancelou um show na Bélgica.

Os paparazzi foram os primeiros acusados. O irmão de Diana, Charles Spencer, culpou os tabloides, que segundo ele tinham "sangue nas mãos". Criticada, a imprensa popular elevou Diana ao patamar de ícone. "Nasceu lady. Depois foi nossa princesa. A morte fez dela uma santa", escreveu o Daily Mirror.

O fervor popular era cada vez maior. No Palácio de Saint-James, onde estava o corpo, a espera para chegar até os livros de condolências chegava a 11 horas. "A imagem das flores é impressionante: um verdadeiro mar de quase 100 metros de comprimento", escreveu.

Monarquia

A organização do funeral foi um quebra-cabeças. Desde seu divórcio, Lady Di não tinha mais direito ao título de alteza real ou a uma cerimônia nacional. Mas os britânicos exigiam uma homenagem à altura de sua "rainha dos corações".

O descontentamento da opinião pública aumentava à medida que se prolongava o silêncio da família real, que permaneceu entrincheirada em Balmoral. Furiosos com a ausência de uma bandeira a meio mastro no Palácio de Buckingham, os jornais exigiam um discurso da rainha aos súditos. "A família real nos abandonou", criticou o jornal The Sun.

"Ferida", Elizabeth II se resignou a prestar uma homenagem a uma nora que nunca desejou, em uma mensagem exibida na televisão - a segunda em 45 anos de reinado -, antes de se inclinar publicamente diante do caixão. ”Se os Windsor não aprenderem a lição, não vão apenas enterrar Diana, mas também o seu futuro", advertiu o jornal The Guardian.

Uma pesquisa publicada na época mostrava que um em cada quatro britânicos se declarava a favor da abolição da monarquia. No dia seguinte, quase um milhão de pessoas acompanharam o cortejo fúnebre em silêncio, interrompido apenas pelo choro dos presentes e pelo som dos sinos.

Cabisbaixos, William e Harry caminharam atrás do caixão, ao lado do príncipe Charles, do duque de Edimburgo, o príncipe Philip, e do conde Spencer, diante dos olhares de 2,5 bilhões telespectadores ao redor do mundo.

Na abadia de Westminster, 2 mil convidados, entre eles Hillary Clinton, Tony Blair, Luciano Pavarotti, Margaret Thatcher e Tom Cruise, assistiram à cerimônia. Elton John interpretou a canção "Candle in the Wind", com uma alteração na letra para homenagear Diana.

Durante a tarde, a princesa foi sepultada em uma cerimônia privada em Althorp, noroeste de Londres. Desde então, descansa em um túmulo em uma ilha que foi a residência de sua família. / AFP

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Acidente de Lady Di é cercado por diversas teorias conspiratórias

Muitos chegaram a pensar que o trágico episódio teria sido, na verdade, um complô orquestrado pelos serviços secretos britânicos com o aval do príncipe Philip

O Estado de S.Paulo

31 Agosto 2017 | 07h00

PARIS - Complô, atentado, ação direta dos paparazzi... O acidente de carro no qual morreu a princesa Diana deu lugar a todo tipo de teoria conspiratória. Contudo, dois investigadores independentes concluíram que se tratou apenas de um trágico acidente.

No dia 31 de agosto de 1997, à 0h26, a Mercedes que levava Lady Di bateu com força total na 13.ª pilastra do túnel da Ponte d'Alma no 8.º distrito de Paris. Seu companheiro, Dodi Al-Fayed, e o motorista Henri Paul não resistiram ao choque, e Diana morreu algumas horas depois. Seu segurança Trevor Rees-Jones foi o único sobrevivente.

Uma investigação foi aberta pela Justiça francesa. Os fotógrafos, que perseguiam o casal desde sua chegada a Paris, foram questionados, já que seu comportamento poderia ter forçado o motorista a dirigir acima da velocidade. Nove fotógrafos e o motorista foram acusados. Depois de dois anos de investigação, foram absolvidos em um veredicto confirmado pela Corte de Cassação em 2002.

Acompanhada pela imprensa do mundo inteiro, a investigação concluiu que foi um acidente. O comportamento de Henri Paul - sob efeito de álcool e antidepressivos - e a velocidade da limusine - entre 126 e 155 km/h na entrada do túnel - explicaram a perda de controle do veículo.

A tese de um complô - que teria sido orquestrado pelos serviços secretos britânicos com o aval do príncipe Philip, marido da rainha Elizabeth II - foi descartada. Essa hipótese chegou a ser cogitada pelo pai de Dodi, o bilionário egípcio Mohamed Al-Fayed. Uma outra investigação, realizada de 2004 a 2008 no Reino Unido, também concluiu que se tratou de um "trágico acidente".

Veículo misterioso

As investigações revelaram que a Mercedes colidiu com um veículo pouco antes do acidente. Vestígios de tinta foram encontrados na limusine e na parede do túnel.

Um casal francês que estava perto do local do acidente contou à polícia que viu um Fiat Uno branco. Cerca de três mil proprietários desse modelo de automóvel foram interrogados pela polícia, sem resultado, alimentando as teorias conspiratórias.

Em 2007, o motorista foi identificado. "O Fiat não foi responsável pelo acidente, mas foi atingido durante o episódio", revelou uma fonte próxima.

Mercedes

Um livro intitulado "Quem matou a princesa Diana?", publicado em maio pela editora Grasset, revelou que o Mercedes que levava Diana teve uma história agitada.

O primeiro proprietário do carro, o magnata da publicidade Eric Bousquet, comprou-o em 1994. Três meses depois, ele foi roubado antes de ser encontrado em um terreno perto do aeroporto parisiense Charles de Gaulle.

O veículo foi totalmente consertado e comprado por € 40 mil pela Etoile Limousine, a companhia de limusines e veículos de luxo que alugou o carro para o hotel Ritz. Foi lá que Diana e Dodi Al-Fayed jantaram na noite trágica.

"Confiamos neles. Nos disseram que havia sido usada por um dos diretores da Mercedes França", disse o diretor da companhia, Jean-François Musa. "Mas, rapidamente, nos demos conta de que o veículo tinha problemas quando passava dos 70-80 km/h", completou.

O carro foi enviado para a Mercedes, que garantiu, porém, que estava funcionando normalmente. "Usaram peças incompatíveis para reparar o veículo?", questionou Musa, garantindo que os investigadores da morte da princesa nunca o interrogaram sobre isso.

Quatro meses antes do acidente, o carro foi roubado novamente, antes de ser abandonado em uma autoestrada. Foi enviado para uma concessionária que fez reparos de cerca de € 17 mil e devolvido ao grupo Etoile Limousine e ao Ritz, onde foi escolhido para levar Diana.

Apesar disso, durante a investigação, nunca se falou sobre uma eventual responsabilidade da Etoile Limousine ou da Mercedes France. / AFP

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Diana se encontrou apenas 13 vezes com Charles antes do casamento

Pressionado a se casar, príncipe pediu a mão da Lady Di relativamente rápido, e o que era para ser um conto de fadas acabou em uma ruptura amarga

O Estado de S.Paulo

31 Agosto 2017 | 10h52

LONDRES - Desde seu compromisso com o príncipe Charles, quando ainda era uma adolescente, até seu papel como mãe afetuosa, ativista e personalidade mundial, a vida de Diana e seu trágico fim continuam encantando o mundo todo.

Jovem, bonita e divertida, Diana exibia informalidade e jovialidade quando se casou com o herdeiro do trono britânico, em 1981, aos 20 anos, depois de um romance apresentado pelo Palácio e a imprensa como um conto de fadas.

Mas a amarga ruptura da sua relação com Charles, cujos detalhes íntimos foram revelados nos jornais de todo o mundo, sacudiu as bases da monarquia, assim como as suas próprias.

A imagem de Diana que permanece na memória de muitos é a da extraordinária entrevista de 1995 em que a princesa relevou seus sentimentos sobre o romance de seu marido com Camilla Parker Bowles e sua própria aventura extraconjugal.

A forma como revelou os segredos, deixando a monarquia desconfortável e lançando dúvidas sobre a habilidade de Charles de ser rei, horrorizou as classes dominantes e o poder britânico.

Mas aos olhos de muitas pessoas comuns, seus problemas só a tornaram ainda mais popular e querida. "Como Marilyn Monroe, está congelada no tempo. Ela era como uma criatura trancada em um pedaço de âmbar. Lá para sempre, bonita, jovem, vulnerável e danificada", disse a biógrafa da família real Penny Junor.

Encontros

Nascida no dia 1.º de julho de 1961, Diana cresceu em uma família aristocrata com laços com a monarquia. Seu pai trabalhou para o rei George VI e para a rainha Elizabeth II. Cresceu com três irmãos, cuja infância foi marcada pela separação, também conflitiva, dos seus pais.

Deixou a escola aos 16 anos sem obter o diploma do ensino médio, e terminou os estudos depois, na Suíça, antes de começar a trabalhar em uma creche de Londres.

A partir do momento em que se relacionou com o príncipe Charles, sua vida mudou drasticamente. Ele estava sob pressão para se casar, e aos 32 anos pediu a mão de Diana - talvez cedo demais. Ela contou que só tinha se encontrado com Charles 13 vezes antes do casamento.

Mas Diana rapidamente cumpriu seu dever de princesa, dando à luz o primogênito, William, um ano após o casamento, e Harry, dois anos depois.

A princesa se mostrou uma mãe extrovertida e carinhosa, longe da sobriedade da sua sogra. Tinha estilo ao se vestir e estava comprometida com a defesa de portadores de hanseníase e aids, aos quais estendia a mão, quebrando tabus.

Sob a superfície, porém, escondiam-se os primeiros problemas: a bulimia, as dúvidas, tudo piorado pela sensação de que seu marido não a amava e o resto da família real não se importava.

Os rumores de que o casamento passava por problemas surgiram em 1992, graças a um livro revelador de Andrew Morton, que recebeu a bênção estratégica da própria princesa. O ano terminou com o anúncio polêmico da separação.

Diana cruzou a linha com sua entrevista de 1995 no programa da BBC "Panorama", admitindo seu romance com o major James Hewitt, criticando a família real e questionando a aptidão de Charles para ser rei. Pouco depois, a rainha escreveu ao casal pedindo que se divorciassem.

Em 28 de agosto de 1996, o divórcio foi oficializado e Diana foi despojada do título de Sua Alteza Real. O conto de fadas tinha acabado.

“Coração do povo”

Ainda princesa, Diana permaneceu sob os holofotes. Encontrou um novo amor em Dodi Al-Fayed, filho do empresário bilionário Mohamed Al-Fayed, que morreu com ela no dia 31 de agosto de 1997, quando seu carro colidiu em um túnel de Paris enquanto fugiam de paparazzi.

A expressão pública de luto foi enorme. As pessoas depositaram milhões de flores na entrada de sua casa, o Palácio de Kensington, e milhares se reuniram nas ruas de Londres para seu funeral.

Grande parte da raiva popular sobre sua morte foi dirigida à família real, alimentada pela recusa inicial da rainha de retornar a Londres para cumprimentar as multidões. Além disso, houve uma onda de republicanismo.

Duas décadas depois, o apoio público à monarquia é muito forte. Charles e Camilla parecem reabilitados, mas sua popularidade provavelmente nunca se igualará à de Diana, que se propôs ser, em suas próprias palavras, a "rainha do coração do povo". / AFP

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Lady Di se tornou símbolo da moda ao revolucionar os códigos de vestuário da família real

Diana dominava a arte de usar o figurino correto em cada ocasião; em visitas ao exterior, usava peças inspiradas nas cores nacionais, e, diferente da rainha Elizabeth II, não usava luvas pois ‘gostava de manter contato com as pessoas que encontrava’

O Estado de S.Paulo

31 Agosto 2017 | 12h09

LONDRES - A princesa Diana de Gales continua sendo, 20 anos após sua morte, um símbolo da moda que revolucionou os códigos de vestuário da família real com a ajuda de grandes estilistas.

"Aprendeu rapidamente a usar a moda como instrumento para transmitir mensagens e promover causas", explica Libby Thompson, uma das curadoras da exposição "Diana: Her Fashion Story", em exibição no Palácio de Kensington, onde a princesa morou.

Apelidada de "Shy Di" ("Tímida Di") antes do casamento com o príncipe Charles, herdeiro do trono, em 1981, Diana tomou consciência de que a roupa tinha um grande poder de comunicação.

"A princesa aprendeu a fazer seu guarda-roupa dizer o que ela não poderia e trabalhou em estreita colaboração com estilistas como Catherine Walker para cuidar de sua personalidade por meio das roupas", afirmou a diretora de moda da revista Tatler, Sophie Goodwin, em entrevista ao jornal americano The New York Times.

Diana dominava a arte de usar o figurino correto em cada ocasião. Ao visitar hospitais, vestia cores luminosas para parecer mais próxima e acessível. Nas visitas ao exterior, usava peças inspiradas nas cores nacionais, como o vestido branco e de bolinhas vermelhas que usou no Japão em 1986.

Ela não usava luvas, como fazia e ainda faz sua sogra, a rainha Elizabeth II, "porque gostava de manter contato com as pessoas que encontrava", explica Eleri Lynn, também curadora da mostra em Kensington.

As fotos da princesa apertando a mão de pacientes com aids em 1987 ajudaram a acabar com certos mitos que cercavam a doença, como o do contágio ao menor contato.

A mulher mais fotografada de sua época entendeu as regras não escritas do figurino da realeza, mas não temia quebrar algumas delas às vezes. Dessa maneira, usou vestidos pretos à noite - uma cor que a Casa Real reserva para os momentos de luto - e foi a primeira a usar calças em um evento vespertino.

Ousadia

Diana ajudou a modernizar o figurino da realeza com vestidos marcantes, como o de veludo azul que usou em um jantar na Casa Branca em 1985. Com a peça, a princesa dançou com o ator americano John Travolta a canção "You Should Be Dancing", da trilha sonora do filme "Os Embalos de Sábado à Noite".

Conhecido como "o vestido Travolta", a peça tem sua própria página na Wikipedia e foi vendido por 240 mil libras (US$ 318 mil) em um leilão em 2013.

Após o divórcio do príncipe Charles em 1996, Diana voltou a mudar de estilo: abriu mão dos estilistas britânicos que havia priorizado para usar roupas de marcas internacionais, como Dior, Lacroix e Chanel. Também começou a usar vestidos mais ousados.

"Durante muitos anos, a princesa de Gales foi a grande e única obsessão do mundo da moda e a precursora do glamour como o conhecemos", escreveu Sarah Mower no jornal Daily Mail. Seu estilo foi muito imitado e ainda inspira os estilistas. Em 2016, a marca ASOS lançou uma coleção com base em seu estilo informal.

Na era das redes sociais, seu nome ainda tem muita força. A conta "Princess Diana Forever" no Instagram, que tem 160 mil seguidores, publica diariamente uma foto de Lady Di com diferentes modelos, divulgando seu estilo para as novas gerações. / AFP

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Mesmo após 20 anos, interesse do público pela princesa Diana ainda é grande

No Reino Unido e em toda a Europa estão sendo divulgados inúmeros especiais, documentários e reportagens sobre ela

O Estado de S.Paulo

31 Agosto 2017 | 15h09

PARIS - Vinte anos depois de sua trágica morte, a princesa Diana volta a ocupar as primeiras páginas dos jornais europeus, conscientes de que o interesse do público por ela continua grande.

Inúmeros especiais, documentários inéditos, reportagens sobre a celebridade mundial, morta em um acidente de carro em Paris no 31 de agosto de 1997, ressurgem no Reino Unido e por toda Europa.

Como a maioria da imprensa britânica, o tabloide Daily Mail anunciou recentemente "um magnífico suplemento sobre a última mulher com pérolas".

"Nós encaramos este aniversário muito seriamente", afirma a chefe de redação da revista feminina polonesa Wysokie Obcasy, Ewa Wieczorek. "Diana é a capa da nossa edição de agosto. Os poloneses continuam fascinados por ela", explica. Na Bulgária, a revista 24 Tchassa consagrou à princesa cinco páginas na semana passada.

A França não ficou para trás. A televisão pública do país dedicará à princesa uma maratona especial no domingo, com documentários e a divulgação de uma investigação. "A morte de Diana causou um choque total. Vinte anos depois, é hora de examinar como a monarquia se humanizou e quem ela era de verdade", afirma um dos apresentadores do canal France 2, Stéphane Bern.

"Diana se encontra no panteão popular, com o mesmo destino trágico de Grace Kelly, Marilyn Monroe ou a rainha Astrid, da Bélgica. É, ao mesmo tempo, a estrela universal, a princesa sacrificada. A tragédia de sua vida a tornou imortal", comentou o especialista em realeza.

Para Matthias Gurtler, diretor da revista francesa Gala, que publica um número especial, a atração do público de hoje em dia “está diretamente ligada à princesa Diana, que rompeu os códigos desse universo circunspecto e rígido".

Ewa acrescenta: "Diana influenciou profundamente a família real e a evolução da monarquia. Ensinou seus filhos a se mostrarem próximos das pessoas comuns, a não esconderem suas emoções, longe da rigidez que caracteriza a antiga geração. Basta ver como o príncipe William se mostra afetuoso com seus filhos".

Lisbeth Bischoff, especialista em família real da emissora pública austríaca ORF, que divulgará um documento a respeito, considera que "o fascínio persistente que Diana causa é em razão de seu destino trágico, de uma mulher presa entre a monarquia, seu altruísmo e a pressão dos meios de comunicação".

Uma opinião compartilhada pelo psicanalista e cineasta francês Gérard Miller, para quem a vida da princesa não foi "um conto de fadas com final triste, e sim uma tragédia que só podia acabar mal", afirma ele em um documentário para a televisão francesa.

"O último ano de vida de Diana foi suicida. Cada decisão a levou para uma saída fatal", acrescenta Miller. "Sua história atrai porque acaba mal. Nós gostamos das princesas que morrem. (...) As pessoas não gostam de princesas felizes." / AFP

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Princesa Diana ainda afeta popularidade do príncipe Charles

Em meio às homenagens pelos 20 anos da morte de Lady Di, pesquisa mostra que 36% dos britânicos entrevistados consideram Charles importante para a monarquia; em 2013, eram 60%

O Estado de S.Paulo

31 Agosto 2017 | 15h54

LONDRES - A princesa Diana enfraqueceu a família real ao revelar em 1992 detalhes pouco lisonjeiros da vida do palácio ao escritor Andrew Morton, o qual assegurou à agência de notícias France-Presse que essas revelações ainda causam danos.

Em seu livro de 1992, "Diana, sua verdadeira história", Morton reunia as confidências que ela fez sobre seu casamento falido com o príncipe Charles, suas tentativas de suicídio e seu combate à bulimia, enquanto fornecia um retrato mordaz da vida na família real britânica.

O best seller jogou uma luz sobre o futuro rei e continua levantando dúvidas sobre a capacidade de Charles de suceder a sua mãe, Elizabeth II, no trono. E isso era exatamente o que pretendia Diana, segundo Morton.

"Não há qualquer dúvida de que, em suas conversas comigo e, depois, com a televisão, quando falava que o príncipe não estava preparado para ser rei, sempre considerava que William deveria assumir o papel do futuro rei", contou o biógrafo à agência durante uma entrevista em sua casa em Londres.

"Hoje, a maioria prefere que a coroa vá diretamente para cabeça do príncipe William. Isso não acontecerá, mas é, em parte, o sentimento do povo, influenciado pela vida de Diana", considerou o biógrafo.

Popularidade

Uma pesquisa do YouGov mostrou que as homenagens pelos 20 anos da morte de Diana afetaram a popularidade do príncipe Charles: 36% dos britânicos entrevistados consideraram o príncipe importante para a monarquia, frente aos 60% que tinham essa mesma opinião em 2013.

"O aniversário também reabriu velhas feridas por Camila, lembrando as pessoas do papel-chave que ela teve no fim do casamento, apresentado naquele momento como um conto de fadas", declarou Morton, que acabou de fazer algumas edições no seu livro. Segundo a enquete, somente 14% das pessoas pesquisadas desejam vê-la como rainha.

Diana, que causou grande rebuliço ao dizer que havia "três pessoas" em seu casamento, contactou Andrew Morton, correspondente real na época, por meio de um amigo, James Colthurst.

"Ela me contou histórias. A mais notável foi uma sobre como o príncipe Charles havia demitido seu secretário privado, que isso lhe deu uma sensação de controle e poder e ela gostava disso", lembrou. "O que eu não me dei conta naquela época é que Diana estava simplesmente desesperada. Ninguém havia me preparado para as revelações que viriam depois", explicou.

Confidências

Morton lembra o momento em que ouviu a primeira entrevista de Diana, gravada com James Colthurst, que desempenhou um papel de intermediário para que Lady Di pudesse continuar negando que havia se reunido com Morton.

"Fui convocado para um café popular de Londres (...), a gente comia ovos com bacon, falando sobre os resultados do futebol. Coloquei meus fones e fui transportado para outro mundo em que Diana falava de seus distúrbios alimentares, de seus desesperados pedidos de ajuda, de sua solidão, de sua infância, de sua vida principesca e do príncipe Charles", relembrou.

O biógrafo ouviu seis fitas repletas de confidências para escrever seu livro, que, entendeu imediatamente, tinha o poder de abalar a monarquia. "Estava preocupado com minha própria segurança e com o que poderia acontecer. Era incrivelmente estressante", admitiu.

Ele considera que, embora o livro tenha afetado a família real, a morte de Diana, cinco anos depois, obrigou a monarquia a promover mudanças necessárias. "Você tem uma nova geração que assume as rédeas, William e Harry, e eles assumem muitas das qualidades e especificidades de Diana. (...) Tornaram-se mais humanos, mais acessíveis", completa.

"Depois da tragédia do incêndio na Torre Grenfell, a primeira a lamentar foi a rainha", apontou, referindo-se ao episódio registrado em Londres que deixou 80 mortos no dia 14 de junho. "De certo modo, a família real adotou a forma como Diana administrava as coisas", concluiu. / AFP

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A relação entre Charles e Camilla, apelidada por Diana de ‘rottweiler’

Por muito tempo, a atual mulher do príncipe foi criticada e rotulada como sabotadora de casamentos por arruinar o conto de fadas vivido por ele e Lady Di

O Estado de S.Paulo

31 Agosto 2017 | 16h10

LONDRES - O aniversário da morte de Diana de Gales volta novamente os holofotes para a atual mulher do príncipe Charles: Camilla, "a outra", a quem a princesa chegou a apelidar de "a rottweiler".

Durante anos, Camilla Parker Bowles foi criticada e rotulada como uma sabotadora de casamentos, responsável por arruinar o conto de fadas vivido por Charles e Diana. Mas agora desfruta de uma aceitação relativa por parte dos britânicos.

Depois da morte da princesa em 1997, Camilla e Charles assumiram seu antigo romance, no início discretamente e, depois, de modo transparente, com sua união oficial em 2005. Ela se tornou duquesa da Cornuália ao se casar com o herdeiro do trono e poderá ser princesa consorte, caso seu marido chegue a ser rei.

"Camilla não tinha qualquer ambição de virar princesa, duquesa, sequer rainha", escreveu Penny Junor, biógrafa do príncipe Charles, em 2015. "Só queria estar com o príncipe de Gales, dar a ele seu apoio. Seu casamento devolveu vida a Charles.”

Passado

Camilla Shand - seu nome original - nasceu em Londres no dia 17 de junho de 1947 e teve uma criação muito tradicional. Neta do nobre lorde Ashcombe, alternou estudos em escolas de Londres, Suíça e França, com a vida familiar na mansão campestre do condado de Sussex, sul da Inglaterra.

Atraente e cheia de confiança, Camilla conheceu o príncipe em uma partida de polo no início dos anos 1970 e, mais tarde, tornaram-se íntimos, passando tempo juntos nos apartamentos privados de Charles, no Palácio de Buckingham.

No entanto, Camilla nunca acreditou que Charles a pediria em casamento e acabou se unindo ao militar Andrew Parker Bowles, com quem teve dois filhos. Os sentimentos resistiram ao tempo, e Charles continuou vendo Camilla mesmo depois de se casar, em 1981, com Diana.

A relação se intensificou no fim daquela década, coincidindo com o término do casamento de Charles, como provaram as famosas conversas telefônicas entre os amantes divulgadas pela imprensa na época.

Camilla e Andrew Parker Bowles se divorciaram em 1995, um ano antes de Charles e Diana. Após a morte da princesa, mantiveram a discrição, mas pouco a pouco ficou evidente que conviviam como um casal. Depois de um cuidadoso planejamento que levou meses, eles fizeram sua primeira aparição pública em 1999.

Entusiasmo

Charles e Camilla se casaram em Windsor, onde a família real tem um castelo, no dia 9 de abril de 2005, em uma cerimônia civil que também teve uma bênção religiosa na presença da rainha Elizabeth II.

Estando ambos divorciados, debateu-se muito se podiam casar na igreja e sobre o futuro papel de Charles como governador supremo da Igreja da Inglaterra, caso ascendesse ao trono. Apesar disso, o casamento - que foi atrasado em um dia para permitir que o noivo assistisse aos funerais do papa João Paulo II - atraiu uma entusiasmada multidão de 20 mil pessoas às imediações do Castelo de Windsor.

Depois do casamento, os dois se integraram aos deveres típicos da família real: das inaugurações às visitas ao exterior, passando pelas férias em Balmoral, na Escócia, enquanto Camilla continua cultivando sua imagem de aristocrata inglesa, amante do tweed e dos cavalos.

Com o tempo, ganhou o afeto da família real, incluindo os filhos de Diana, William e Harry. "Os meninos amavam sua mãe e sabiam o que ela pensava de Camilla, mas, ao mesmo tempo, percebiam que seu pai se sentia sozinho e essa mulher alegrava a vida dele", escreveu Penny em um artigo no Daily Telegraph em razão do 10.º aniversário do casamento de Charles e Camilla. / AFP

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