AFP PHOTO / AHMAD AL-RUBAYE
AFP PHOTO / AHMAD AL-RUBAYE

20 mil civis estão presos em Mossul em ofensiva contra o EI

Moradores da cidade estão em condições humanitárias terríveis, sem acesso a comida e água, diz a ONU

O Estado de S.Paulo

06 Julho 2017 | 12h58
Atualizado 06 Julho 2017 | 14h17

MOSSUL, IRAQUE - Forças iraquianas apoiadas pelos Estados Unidos combatem nesta quinta-feira,6, os últimos extremistas entrincheirados na Cidade Antiga de Mossul, onde quase 20 mil civis permanecem bloqueados e em grande perigo. Na Síria, os combatentes árabes e curdos sírios, igualmente apoiados pelos americanos, enfrentam a forte resistência do EI em Raqqa, o principal reduto do grupo extremistas no país.

O grupo ultrarradical sunita, responsável por atrocidades nas zonas sob seu controle e por atentados em várias partes do mundo, havia conquistado em junho de 2014, em seu apogeu, vastos territórios no Iraque. Atualmente, sua presença se limita a poucas áreas no país.

Em seu último reduto em Mossul, na zona oeste da cidade, o EI resiste e lança seus suicidas, incluindo mulheres, contra as forças iraquianas. 

A coordenadora humanitária da ONU no Iraque, Lise Grande, alerta que as condições em que vivem as pessoas bloqueadas em Mossul são terríveis, com escassez de comida.

"Os civis se encontram presos entre entre bombardeios, fogo cruzado. Os combatentes (do EI) atiram contra os civis se eles tentam fugir", disse Grande.

Em mais de 8 meses, cerca de 915 mil habitantes fugiram de Mossul. Destes, 700 mi seguem deslocados.

"Há 44 bairros residenciais, seis foram completamente destruídos, 22 parcialmente e 16 pouco atingidos", acrescentou a representante da ONU.

As forças iraquianas se encontram, neste momento, a entre "80 e 100 metros" do rio Tigre, contra o qual os últimos extremistas estão encurralados, de acordo com o comandante iraquiano Abdelghani al-Assadi.

"Mas isso não significa que nós iremos alcançar o rio hoje ou amanhã, porque nosso avanço é muito lento", afirmou, explicando que este ritmo se deve ao cuidado com os civis.

Na terça-feira, muito confiante, o primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, elogiou as forças de segurança "pela vitória importante" contra o EI em Mossul. 

Síria. No front sírio, os combatentes das Forças Democráticas Sírias (FDS), com o apoio dos ataques aéreos da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, tentam avançar na Cidade Antiga de Raqa, no leste da cidade, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). 

De acordo com esta ONG, ao menos 224 civis morreram nos bombardeios da coalizão desde a entrada, em 6 de junho, das FDS em Raqqa. Mas o porta-voz da coalizão, o coronel americano Ryan Dillon, estimou que este número não tinha base em "informações detalhadas".

As FDS receberam em Raqqa um novo carregamento de armas americanas, incluindo veículos blindados, segundo o OSDH. / AFP

 

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