200 jornalistas mortos na Rússica em 10 anos

Centenas de pessoas participaram neste domingo em Moscou de uma concentração em memória dos mais de 200 jornalistas mortos na Rússia no exercício de sua profissão. No comício, realizado na praça Pushkin da capital russa, foi lida uma relação dos nomes dos 211 jornalistas mortos na última década e meia em diversos conflitos armados ou que foram assassinados em cumprimento de seu dever profissional."Nosso propósito é render tributo a nossos colegas que perderam a vida e lembrar à sociedade que a violência contra os profissionais, cuja única arma é a palavra, é inadmissível e vergonhosa", afirmou a União de Jornalistas da Rússia.O comício, do qual participaram jornalistas, familiares de informadores mortos e políticos liberais, foi realizado sob um rigoroso controle da polícia, que cercou a praça e obrigou todos a passar por detectores de metais, informou a agência Interfax.Entre a multidão podiam ser vistos retratos de jornalistas mortos, em particular Anna Politkovskaya, assassinada a tiros na porta de sua casa em 7 de outubro deste ano, enquanto preparava um artigo sobre as torturas na Chechênia.As autoridades só permitiram a participação no ato de 400 pessoas e proibiram a realização prévia de uma marcha pelo Anel dos Bulevares, com o pretexto - tachado de "hipócrita" pelos organizadores - pois iria incomodar os moscovitas. No entanto, os participantes, reunidos diante da Casa dos Jornalistas, iniciaram a marcha e chegaram a um acordo com a polícia para que lhes permitisse chegar até a praça Pushkin, com a condição de não exibirem cartazes.O presidente da Confederação Internacional de Jornalistas, Ashot Gazayán, declarou na sexta-feira em Moscou que quase a metade dos jornalistas assassinados nos últimos quinze anos no mundo eram cidadãos de países ex-soviéticos."Nos últimos quinze anos morreram de forma violenta 589 jornalistas", disse Gazayán em um ato fúnebre realizado na Casa dos Jornalistas em memória dos profissionais de imprensa que perderam a vida no exercício da profissão.Acrescentou que 265 destas vítimas "eram representantes do espaçopós-soviético que morreram em cumprimento de seu dever profissional,que deram a vida pela verdade e a informação".O presidente da União de Jornalistas da Rússia, Vsevolod Bogdanov, assinalou que neste ano só no país foram assassinados nove jornalistas e desde 1992 perderam a vida mais de duzentos.As autoridades russas também proibiram vários partidos da oposição, liberais e de esquerda, realizar uma manifestação similar por Moscou para denunciar a involução democrática no país e exigir a renúncia do presidente russo, Vladimir Putin.Estas proibições não foram empecilho para que as autoridades permitissem um movimento pró-Kremlin de congregar neste domingo no centro da capital cerca de 70 mil pessoas.O movimento juvenil "Nashi" (Os Nossos) anunciou que o objetivode seu "ato patriótico" era comemorar o 65º aniversário da Batalhade Moscou na Segunda Guerra Mundial e "felicitar os veteranos peloAno Novo".A imprensa russa afirma que o Kremlin destinou US$ 1 milhão paraa organização desta concentração governista, levando para a capitalmilhares de "jovens putinistas", a fim de tornar patente o amploapoio popular com o qual conta o presidente russo.

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