2003 pode ser o ano mais quente da história

O ano de 2003 está a caminho de se tornar o mais quente já registrado no mundo desde 1860, quando a temperatura de todo o planeta foi medida pela primeira vez. A avaliação é da Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU responsável por monitorar o clima. Segundo os pesquisadores da entidade, as temperaturas deste verão do hemisfério norte indicam que o ano poderá terminar batendo todos os recordes já registrados em anos anteriores. "Até agora, dados indicam que 2003 já é o quarto ano mais quente da história. Isso porque ainda estamos em agosto. Se continuar assim, a possibilidade é que este ano registre uma das temperaturas mais altas já vistas", afirma David Carson, diretor do programa de pesquisas sobre o clima mundial da OMM. Por enquanto, o ano mais quente foi 1998, seguido por 2002, ambos resultado dos efeitos do El Niño. A década de 90 também foi caracterizada por um forte calor e, dos dez anos mais quentes da história, nove ocorreram entre 1990 e 1999.Em 2003, os pesquisadores apontam que pelo menos uma marca já pode ser considerada como inédita: nunca, desde 1860, o solo do Planeta esteve tão quente. O resultado tem sido uma diminuição de até 10% na quantidade de neve que cobre a terra em comparação ao volume registrado na década de 60. Além disso, a temperatura média dos oceanos é a segunda mais elevada desde 1880. As indicações de um clima extremo estão por todas as partes do globo. Na Europa, muitos países estão vivendo um verão equivalente ao da região tropical do mundo. Em junho e julho, a França teve temperaturas de até 7 graus centígrados acima da média dos anos anteriores. Na Suíça, junho foi o mais quente em 250 anos e, há poucos dias, Londres registrou sua temperatura recorde em mais de três séculos: 37,5 graus centígrados. Na Índia, as temperaturas das últimas semanas chegaram à 49 graus, cinco a mais que a média neste período do ano. Desde maio, 1,4 mil pessoas morreram no país por causa do calor. ExplicaçõesPara Carson, da OMM, é impossível dizer, por enquanto, se o aumento das temperaturas no verão do hemisfério norte é consequência do aquecimento global gerado pela poluição ou se o mundo apenas está observando mais um ano atípico. Mesmo assim, o pesquisador não nega que parte do aumento de 0,6 grau centígrado registrado nos últimos cem anos no mundo está ligado aos efeitos negativos das atividades humanas.

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