26 palestinos deixam a Basílica da Natividade

Um mês após o início da ocupaçãode Belém por Israel, 26 palestinos deixaram hoje a Basílicada Natividade e tudo indica que é iminente que outros tantosabandonem a igreja em que se refugiaram. As negociações mantidas nos últimos dias poderão levarao fim do assédio das tropas israelenses ao templo, iniciado em2 de abril, se os homens armados que buscaram refúgio no lugarsanto da cristandade se entregarem. O padre Ibrahim Faltas, do convento franciscano que ficano interior do complexo da basílica, foi o encarregado deconduzir até o lado de fora os palestinos que se entregaram aosmilitares israelenses, debaixo de um sol escaldante e um calorinsuportável em Belém, devastada pelos tanques, suja e invadidapelas moscas pousadas sobre as montanhas de lixo que seencontram nas ruas. Os soldados israelenses verificaram os documentos e seos homens armados não traziam armas ocultas antes de entrarem emum ônibus que os conduziria, como nos casos anteriores, a umacampamento militar nos arredores de Belém onde seriaminterrogados. O acordo prevê a libertação imediata de todos que nãoestejam vinculados a atos terroristas. Um dos homens, um agente da polícia nacional, foiseparado do grupo, enquanto outro foi levado a um hospital. Os restantes, em compensação, recusaram as maçãs e aágua que os soldados lhes ofereceram. Trata-se do mais numeroso grupo a deixar de uma só vez aigreja - onde ainda permanecem, sem alimentos, cerca de 170palestinos e cerca de 30 religiosos. O prefeito de Belém, Hanna Nasser, não excluiu apossibilidade de que outros palestinos possam sair nas próximashoras. As negociações prosseguem, afirmou. No entanto, ninguém em Belém viu a partida dos homens. A 150 metros da basílica, no final da Via Paulo VI, aárea continua cercada por uma barreira de arame farpado, onde osjornalistas - diante de um cartaz branco com letras vermelhasque dizem "proibido transitar, zona militar fechada"- observamos movimentos, alguns deles sentados em velhas cadeiras ouapoiados sobre uma improvisada mesa. Uma dezena de pessoas ousa desafiar o toque de recolherem uma cidade na qual as ruas continuam desertas. Os 23.000habitantes que permaneceram em Belém se escondem atrás dejanelas e portas fechadas. "Somos reféns, toda a cidade está cercada", diz numaentrevista à ANSA Salah Taamari, o deputado palestino quedirigia as negociações na segunda-feira e que considerou queelas "agora estão congeladas", afirmando que continuam"reféns da incapacidade da comunidade internacional e da faltade disposição dos EUA de dizerem ´basta´". O deputado afirmou que, para chegar a um acordo esuperar o cerco a Belém, "em princípio" se deve obter o mesmoque em Ramallah, quando se aceitou a proposta do presidenteamericano, George W. Bush, para que os homens acusados peloassassinato do ministro de Turismo israelense sejam custodiadospor uma guarda americana e britânica. No entanto, o deputado reconheceu que no caso daBasílica da Natividade existem elementos diferentes. "Dezenas de pessoas estão morrendo de fome. Osisraelenses usam a fome como instrumento de pressão. É umcálculo errado e perigoso", acrescentou Taamari.

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