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270 milhões de pessoas caminham para a fome, diz chefe de programa da ONU ao receber Nobel da Paz

Programa Mundial de Alimentos foi anunciado vencedor do prêmio em outubro; entrega ocorre tradicionalmente no dia 10 de dezembro

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2020 | 11h00

OSLO - Ao receber o Prêmio Nobel da Paz nesta quinta-feira, 10, o diretor executivo do Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas, David Beasley, afirmou que cerca de 270 milhões de pessoas no mundo estão em situação de insegurança alimentar. O número equivale à soma das populações da Alemanha, Grã-Bretanha, França e Itália. Braço humanitário da ONU contra a fome, o PMA foi anunciado vencedor do prêmio em outubro.

“Por causa de tantas guerras, de mudanças climáticas, do uso generalizado da fome como arma política e militar, e de uma pandemia que piorou tudo isso de maneira exponencial, 270 milhões de pessoas estão caminhando em direção à fome”, afirmou Beasley nesta quinta. 

“A falha em atender suas necessidades causará uma pandemia de fome, que tornará diminuto o impacto da covid”, completou ele, que seguiu: “Se isso não é ruim o suficiente, desses 270 milhões, 30 milhões dependem 100% de nós para sua sobrevivência”. Por causa da pandemia, a cerimônia não ocorreu na prefeitura de Oslo, como em anos anteriores, e o chefe do PMA falou da sede do programa, em Roma. 

Maior agência humanitária da ONU, o PMA é também responsável pelo maior programa de combate à fome do planeta, e atua para a promoção de segurança alimentar. Apenas em 2019, a agência forneceu assistência para cerca de 100 milhões de pessoas em 88 países.

Em entrevista ao Estadão em outubro, quando o Nobel foi anunciado, o chefe do PMA no Brasil Daniel Balaban apontou a expectativa de que a homenagem contribua para jogar luz sobre a temática e angariar recursos para o combate à fome. “O prêmio vem mostrar esse trabalho urgente, importantíssimo, e pode trazer mais recursos", afirmou ele na ocasião. Segundo Balaban, quem realmente ganhou com o reconhecimento internacional foram as populações marginalizadas e esquecidas

Já o diretor regional do PMA para América Latina e Caribe, Miguel Barreto, apontou que  reduzir a insegurança alimentar é trabalhar pela paz. “A paz não é somente um mundo livre de conflitos, é um mundo livre de fome e de desnutrição. Não somente porque é uma luta ética, mas porque é a única maneira de prevenir maiores migrações, reduzir a insegurança e promover a possibilidade de que as pessoas possam se inserir adequadamente na sociedade. Esse assunto precisa estar na agenda pública”, afirmou. 

 A cerimônia de entrega do Nobel é realizadas todos os anos em 10 de dezembro, data que marca o aniversário da morte do industrial sueco Alfred Nobel, que fundou, em testamento de 1895, os prêmios que levam seu nome. /Reuters

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