300º soldado do Reino Unido morre na Guerra do Afeganistão

Marco pode aumentar pressões sobre Cameron a respeito da presença militar britânica no país

estadão.com.br

21 de junho de 2010 | 10h14

LONDRES - O Ministério da Defesa do Reino Unido confirmou nesta segunda-feira, 21, que morreu o 300º soldado do país na Guerra do Afeganistão, o que deve aumentar as pressões sobre o primeiro-ministro, David Cameron, a respeito da missão militar empreendida pelos britânicos no conflito que já dura nove anos. As informações são do jornal The Guardian.

 

O nome do soldado não foi revelado ainda a pedido de sua família, mas foi confirmado que ele é um Royal Marine - como são chamados os militares - do 40º Comando que foi gravemente ferido em uma explosão durante uma patrulha no distrito de Sangin no dia 12 de junho. Ele morreu em um hospital de Birmingham.

 

Cameron definiu o ocorrido como uma "notícia desesperadamente triste". "Claro, a 300ª morte não é mais ou menos trágica que as outras 299, mas é um momento para todo o país refletir sobre o incrível serviço e sacrifício e a dedicação que as forças armadas fazem pelo nosso bem", disse o premiê.

 

Cameron também reconheceu que o papel dos britânicos no Afeganistão está sendo questionado. "Estamos pagando um preço alto para manter nosso país seguro, para fazer do mundo um lugar mais tranquilo e devemos continuar nos perguntando por que estamos lá e por quando tempo ficaremos", disse, acrescentando que a missão dos soldados no país asiático é "manter terroristas e seus campos de treinamento longe de lá".

 

Na semana passada, Cameron fez sua primeira visita como primeiro-ministro ao Afeganistão e havia anunciado que a 300ª morte seria "inevitável" e que a guerra havia chegado a uma fase crítica. "Nossas forças não ficarão um dia a mais que o necessário no Afeganistão e serão trazidas de volta em um momento que fazer isso for seguro", afirmou.

 

O secretário da Defesa, Liam Fox, reconheceu o esforço dos soldados no país. "Nossas forças armadas são as melhores do mundo, operando diariamente nas mais perigosas e exigentes condições. Alguns fizeram seu último sacrifício para assegurar o sucesso da missão", disse. Foz ainda reafirmou que a presença dos britânicos no Afeganistão tem o objetivo de "defender a segurança nacional".

 

Dos 300 soldados e funcionários do Ministério da Defesa mortos desde outubro de 2001, 265 foram mortos pela ação dos inimigos e 35 morreram de doenças, ferimentos fora de combate e acidentes. Quase 3.500 feridos ou doentes foram levados de volta ao Reino Unido para receber tratamento.

 

Embora os EUA tenham perdido bem mais soldados na guerra do Afeganistão - mais de mil - um estudo britânico mostra que a proporção de militares do Reino Unido mortos em relação ao total de tropas mantido no país asiático é quatro vezes maior. A análise, do Conselho de Pesquisa Medicinal da Universidade de Cambridge, mostra que a taxa de mortes chegou 13 por mil soldados de maio de 2099 até o mesmo mês deste ano.

Tudo o que sabemos sobre:
AfeganistãoReino UnidoguerraCameron

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.