38 mortos em combates na fronteira da Venezuela

Pelo menos 38 soldados e rebeldes morreram em combates na região próxima à fronteira com a Venezuela, país em que os rebeldes se refugiam para logo em seguida regressarem e prosseguirem nos ataques, disseram nesta quinta-feira autoridades militares. O general Martín Carreño, comandante militar da região, informou que os combates começaram no domingo e que já morreram 16 soldados, um suboficial e pelo menos 21 combatentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). O militar disse que os combates continuavam nesta quinta-feira. "As Farc lançam cargas explosivas, especialmente bujões-bomba, a partir do país vizinho, fazem incursões esporádicas ao território colombiano, voltam e se refugiam do outro lado da fronteira", afirmou Carreño em comunicado à imprensa. Este "fato limita qualquer ofensiva militar", acrescentou. Colômbia e Venezuela têm mantido tensas relações desde que o presidente venezuelano Hugo Chávez assumiu o poder. Atribui-se a Chávez apoio aos guerrilheiros - fato que já foi motivo de vários incidentes diplomáticos entre os dois países, que compartilham extensa fronteira. O Exército afirmou no domingo que rebeldes que entraram na Colômbia procedentes da Venezuela haviam roubado 11 veículos, cinco deles pertencentes à estatal colombiana de petróleo Ecopetrol, na rodovia Tibú-La Gabarra, 470 quilômetros a nordeste de Bogotá. As tropas governamentais iniciaram a ofensiva com a abertura da rodovia e a recuperação de três dos cinco carros da Ecopetrol, perseguindo os insurgentes até eles atravessarem para o outro lado da fronteira - onde, segundo o Exército, havia um acampamento com cerca de 150 rebeldes. Na quarta-feira, os guerrilheiros voltaram e novamente enfrentaram o Exército, até retrocederem e lançarem os bujões de gás, para novamente entrarem na Colômbia na madrugada desta quinta-feira. Do lado venezuelano, um suposto chefe guerrilheiro colombiano foi detido pela Guarda Nacional da Venezuela quando aguardava o pagamento de uma extorsão no povoado de Samariapo, um remoto povoado da Amazônia venezuelana a cerca de 10 quilômetros da fronteira com a Colômbia.O anúncio foi feito pelo general Francisco Belisário, comandante da Guarda Nacional. Segundo o general, o detido, de nacionalidade colombiana, é conhecido na zona fronteiriça como "comandante Giovanni" e é acusado de cometer extorsões contra residentes do lugar e de oferecer apoio logístico à guerrilha em território venezuelano. "Informes de inteligência procedentes da Colômbia indicam que o detido tem vínculos importantes com a guerrilha", acrescentou o comandante Belisário. A extorsão é uma das principais fontes de financiamento dos rebeldes colombianos, e sua prática se estende ao longo dos 2.200 quilômetros da fronteira entre os dois países. As autoridades colombianas informaram ainda nesta quinta-feira que outro pequeno grupo insurgente, o do Exército Revolucionário do Povo (ERP), também está atuando no norte do país, onde teria seqüestrado 12 pessoas em uma estrada que liga as cidades de Barranquilla e Lorica. Segundo o comandate do grupo anti-seqüestro Gaula do Exército, coronel Carlos Arévalo, trata-se de militantes do ERP, que, graças à pressão dos militares, já libertaram quatro dos reféns.

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