400 imigrantes podem ter morrido no Mediterrâneo, em novo drama

ONU alerta que mortes em 2015 já são 30 vezes superiores aos números de 2014

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

15 de abril de 2015 | 07h13

GENEBRA – Cerca de 400 imigrantes podem ter morrido neste fim de semana, quando o barco que os levava da Líbia para a Europa sofreu sérios problemas em pleno Mar Mediterrâneo. O drama, se confirmado, pode ser um dos maiores já registrados na região. Segundo a ONU, em apenas quatro dias, 8,5 mil imigrantes desembarcaram nas costas do Sul da Itália e a guarda costeira resgatou 42 embarcações. No total, o número de mortos é 30 vezes superior ao mesmo período de 2014.

A previsão das autoridades europeias é de que 2015 bata todos os recordes em termos de imigração irregular. Cerca de 500 mil estrangeiros poderão chegar às fronteiras da UE, segundo a Frontex – a agência de fronteiras do bloco. Em 2014, foram cerca de 300 mil.

A pobreza na África, mas também a guerra na Síria, no Iraque, a instabilidade na Somália, o caos político no Iêmen podem contribuir para um salto ainda maior.

Quanto ao drama do fim de semana, a polícia costeira italiana indicou que conseguiu resgatar 144 pessoas. Mas ela alerta que a estimativa é de que o barco carregava cerca de 550 pessoas. “400 pessoas morreram neste barco, 24 horas depois de ele sair da Líbia”, indicou a entidade Save the Children, em um comunicado. A Organização Internacional de Migrações também confirmou que este é o número que estão considerando.

Por enquanto, pouco se sabe sobre o motivo do drama. Mas relatos dos sobreviventes apontam que o barco virou quando os imigrantes começaram a se mexer, depois de ver sinais de que a polícia italiana estaria chegando.

Para as entidades internacionais, os números de mortos apontam para a necessidade de que uma nova política seja estabelecida. Em 2014, a OIM somou 3,1 mil mortos entre aqueles tentando cruzar o Mediterrâneo. Em 2013, o número havia sido de 700. Mas, apenas em 2015, os mortos já chegam a 500, sem ainda contar as eventuais 400 vítimas do fim de semana.

Para a ONU, esse número representa um salto de 30 vezes nas taxas registradas nos quatro primeiros meses de 2014.

Desde 2000, 22 mil pessoas já perderam a vida tentando cruzar o mar em busca da Europa. “Essas mortes são intoleráveis”, declarou a Human Rights Watch, em um comunicado. Ela pede que a UE adote novas medidas para proteger os imigrantes e alerta que, em maio, a revisão da política de imigração do bloco terá de considerar essa nova realidade.. 

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