500 mil franceses foram às ruas para garantir aposentadoria

O debate sobre a reforma das aposentadorias na França será lançado oficialmente nesta segunda-feira, quando o primeiro-ministro Jean Pierre Raffarin apresentará ao Conselho Econômico e Social suas principais linhas.Antecipando-se ao primeiro-ministro, as grandes centrais sindicais - CGT, CFDT, FO - e outras, em uma manifestação unitária que não se via há alguns anos, saíram às ruas de Paris, Bordeaux, Lyon, Nantes, Rennes, Toulouse, e outras cidades, reunindo 500 mil pessoas, numa demonstração de força e de advertência ao governo, de que não pretendem consentir sacrifícios excessivos para adequar os regimes de aposentadoria à realidade, única forma de preservá-los.Antes que um projeto seja apresentado e aprovado pelo Conselho de Ministros e submetido ao Parlamento, o que deverá ocorrer no mês de maio, o tema começa a ser debatido, a partir desta segunda, junto ao Conselho Econômico e Social.Quase simultaneamente, ainda nesta semana, serão abertas as negociações com as grandes centrais sindicais do país, que, apesar da demonstração unitária deste fim de semana, ainda se mostram muito divididas quanto aos sacrifícios necessários para salvar o sistema de aposentadoria.Esta será a fase mais difícil da reforma, pois os sindicatos não imaginam ficar de braços cruzados diante dela, mesmo sabendo que um eventual projeto será facilmente aprovado pela maioria parlamentar governista.Discretamente, o governo francês está lançando uma licitação junto às agencias de publicidade para uma campanha sobre seu projeto de reforma. O objetivo é transformar o tema numa "causa nacional" e, para isso, vai ser preciso implantar um dispositivo extremamente eficaz, não havendo um orçamento estipulado para essa campanha.O primeiro-ministro Raffarin, diante do Conselho Econômico Social, não vai se apresentar com um projeto já definido, mas pretende adiantar os grandes princípios dessa reforma, que deverá ser profunda e rápida, diante do déficit que aumenta de forma considerável a cada ano. Só para financiar a aposentadoria do setor público, o Estado tem necessidades suplementares de 1,5 bilhão de euros a cada ano e durante os próximos 40 anos. Também o setor privado deverá participar do esforço, pois em 2020 vão faltar 20 bilhões de euros para o pagamento das aposentadorias.A reforma, na verdade, se define pela solicitação de maiores sacrifícios, uma reforma realista que possa consolidar os regimes de aposentadoria até 2015 - 2020. O tema mais sensível dessa reforma é, sem duvida, a duração da contribuição. Atualmente, os funcionários se aposentam após 37,5 anos de contribuição, 40 no setor privado. Esse tempo deverá ser elevado, e a meta é uniformizar o tempo do público e privado. O calendário dessa megarreforma já está pronto. O mês de fevereiro será o das discussões, especialmente com os sindicatos, enquanto a partir de março começa a preparação do projeto, em junho, apresentação ao Conselho de Ministros, enquanto a discussão e votação pelo Parlamento está prevista para o mês de julho. Os franceses devem partir para as férias de verão com a reforma já decidida.

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