Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

60 anos de uma guerra sem fim

Norte-coreanos celebram data que marca divisão da península - e o início de sua penúria e isolamento

Felipe Corazza, enviado especial / Pyongyang, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2013 | 02h18

O regime da Coreia do Norte comemorou ontem os 60 anos do fim dos combates na Guerra da Coreia - ou Guerra de Libertação da Pátria, na versão local -, com uma grande parada militar e de louvação aos líderes do partido único que comanda o país. Paradoxalmente, o "Dia da Vitória" marca o início de seis décadas de isolamento que colocaram o país em um ciclo marcado pela penúria no plano interno e pela retórica bélica - sustentada em um arsenal atômico - na política externa.

A crise na Península Coreana começou após a 2.ª Guerra e a retirada do Japão. A área foi dividida no Paralelo 38, com as forças da URSS, ao norte, e as dos EUA, ao sul. Após a Revolução Chinesa, em 1949, os comunistas invadiram o sul para unificar o país, o que ocorreu em junho de 1950. Os EUA usaram a ONU para responder e legitimar uma intervenção. A URSS boicotava o Conselho de Segurança em protesto por Taiwan ocupar o posto de membro permanente - no lugar da China - e não exerceu poder de veto. Os EUA, sob bandeira da ONU, expulsaram os comunistas e chegaram até a fronteira chinesa. Para se afirmar e mostrar ao Kremlin que poderia ser útil, Mao Tsé-tung invadiu a península e empurrou os americanos de volta para o Paralelo 38.

Nenhum tratado foi assinado. O resultado foi a criação de uma zona desmilitarizada e o estabelecimento de dois países. Pyongyang, durante décadas sob proteção de Moscou, passou a ser tributário da China após o fim da URSS. Com o Norte cada vez mais isolado e o rápido crescimento do Sul, nos anos 80, a disparidade entre os dois lados aumentou em praticamente todos os indicadores - a mortalidade infantil, por exemplo, é 6,5 vezes maior no Norte.

Os problemas não afetam o nacionalismo de senhoras como Kim Yon-su, de 81 anos, que tinha 18 quando começou a dirigir veículos que levavam munições para o front. Ela ocupava um lugar de honra na parada militar. "A alma dói muito. É muito triste ver que famílias se separaram, mães e filhos ficaram de lados diferentes."

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