AP Photo/Christian Bruna
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60 mil imigrantes morreram em 20 anos tentando cruzar fronteiras

Em 2016, 3,6 mil mortes já foram identificadas no mundo, principalmente no Mar Mediterrâneo

Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S. Paulo

14 Junho 2016 | 08h04

GENEBRA - Em 20 anos, mais de 60 mil migrantes morreram tentando deixar seus países, fugindo de guerras e da pobreza, e cruzar fronteiras. Dados publicados nesta terça-feira, 14, pela Organização Internacional de Migrações (OIM) indicam que, em 2015, um total de 5,6 mil pessoas perderam a vida cruzando mares e fronteiras, um número recorde. Menos da metade dos corpos dessas vítimas foi recuperado. 

Em 2016, 3,6 mil mortes já foram identificadas no mundo, principalmente no Mar Mediterrâneo, com 80% dos casos registrados, e a tendência é de uma elevação sem precedentes nas taxas. Em apenas três anos, foram 10 mil vítimas apenas nas costas da Europa.   

Duramente criticada e surpreendida pelo maior fluxo de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial, a União Europeia (UE) já prometeu novos esforços para resgatar pessoas no mar, novas estratégias para lidar com os traficantes e mesmo uma política para distribuir os estrangeiros que chegam até o continente entre os 28 países do bloco. A UE também fechou um acordo com a Turquia, financiando Ancara para que arque com os custos dos refugiados sírios no próprio país. 

Mas, para grupos como Médicos Sem Fronteira e Human Rights Watch, as medidas adotadas até agora não surtiram os efeitos necessários, e os abusos dos direitos humanos continuam sendo uma realidade para milhares de pessoas. 

Na avaliação da ONU, o risco é de que o número de mortes continue subindo durante o verão no hemisfério norte. Com águas mais calmas e mais quentes no mar, traficantes proliferam o envio de estrangeiros em barcos precários, principalmente de portos da Líbia. 

Mas a Europa não é o único caso. Entre os Estados Unidos e México, são 2,7 mil desaparecidos no período estudado pela OIM. Apenas em 2016, foram 69 mortes na tentativa de entrar no território dos EUA, uma alta de 57% em relação a 2015. 

No Leste da Africa, foram outros 235 casos em cinco meses. Na América Central, a taxa tem aumentado em 3,5 vezes em comparação a 2014. 

"Esses são dados conservadores", disse Frank Laczko, autor do estudo. "Muitos sequer são informados e não há nem mesmo uma forma concreta paraque os familiares possam avisar que uma pessoa sumiu ao tentar migrar", explicou.

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