64 anos após bomba, Hiroshima pede fim de armas nucleares

Cidade atacada durante a 2ª Guerra Mundial parabeniza Obama por lutar contra programas militares atômicos

Efe

06 de agosto de 2009 | 03h47

Foto: Reuters

 

 

TÓQUIO - O prefeito de Hiroshima, Tadatoshi Akiba, exigiu nesta quinta-feira, 64, a abolição total das armas nucleares, durante a cerimônia em que foi lembrado o 64º aniversário do lançamento da bomba atômica que atingiu essa cidade do sul do Japão. "Apoiamos o presidente Barack Obama e temos a responsabilidade moral de abolir as armas nucleares", disse Akiba diante de milhares de pessoas reunidas no Parque Memorial da Paz de Hiroshima, como conta a agência de notícias local Kyodo.

 

"Por isso, chamamos a nós e a maioria do resto do mundo de 'Obamaioria', e exigimos que se unam forças para eliminar as armas nucleares até 2020", disse o japonês, que é também presidente da associação Prefeitos pela Paz. A organização Prefeitos pela Paz, que conta com a participação de mais de três mil cidades de 134 países - 55 delas latino-americanas -, pretende conseguir um mundo livre de armas nucleares até 2020.

 

Durante a cerimônia, foi feito um minuto de silêncio às 8h15 (20h15 de quarta em Brasília), a mesma hora em que há 64 anos os Estados Unidos lançaram a bomba atômica sobre a cidade, matando cerca de 140 mil pessoas. O já elevado número de mortos foi crescendo ao longo dos anos devido à radiação, que aumentou a quantidade de vítimas a 268.300.

 

O primeiro-ministro japonês, Taro Aso, participou da cerimônia e, em seguida, assinou um acordo reconhecendo oficialmente 306 pessoas que sofrem de doenças derivadas da radiação como vítimas das bombas nucleares, o que deve assegurar a elas medidas de ajuda ainda não detalhadas.

 

O ato também teve a presença do nicaraguense Miguel D'Escoto Bockmann, presidente de Assembleia Geral das Nações Unidas e sacerdote católico, que pediu perdão às vítimas de Hiroshima, afirmando que o piloto do avião Enola Gay, que lançou a bomba sobre a cidade japonesa, era católico. "Em nome da minha Igreja, peço vosso perdão", disse D'Escoto durante a cerimônia.

 

Ao final de 1945, 140 mil pessoas haviam morrido por causa do ataque a Hiroshima, que tinha antes da bomba uma população de 350 mil pessoas. Muitas outras morreram nas décadas seguintes devido a doenças e ferimentos. O Japão tem ainda 235.569 sobreviventes das bombas de Hiroshima e da lançada três dias depois em Nagasaki, 8.123 menos que no ano passado, segundo o Ministério da Saúde.

 

ONU

 

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, reiterou nesta quinta-feira, 6, no 64º aniversário do lançamento da bomba atômica sobre a cidade japonesa de Hiroshima, que o mundo está obrigado a se desfazer do "perigo catastrófico" representado pelas armas nucleares. "Convençamos os líderes, de uma vez por todas, do desperdício, da futilidade e do perigo que as armas de destruição em massa representam. Diante deste perigo catastrófico, nossa mensagem é clara: temos que nos desarmar", disse Ban em declarações divulgadas pelo canal de televisão da ONU, o UNTV.

 

Nesta semana, os EUA anunciaram que o presidente americano, Barack Obama, presidirá no dia 24 de setembro uma reunião de alto nível do Conselho de Segurança da ONU sobre a não-proliferação e o desarmamento nuclear. A embaixadora americana na ONU, Susan Rice, afirmou que a reunião aproveitará a presença em Nova York de Obama e de outros líderes políticos para participar da reunião anual da Assembleia Geral das Nações Unidas para dar um novo impulso às negociações nesta matéria.

 

Após o desinteresse mostrado pelo Governo do ex-presidente George W. Bush sobre o assunto, a aproximação entre Rússia e EUA promovida por Obama ao chegar à Casa Branca criou um clima propício ao reforço da segurança internacional por meio da reativação do processo de desarmamento. O presidente americano e o da Rússia, Dmitri Medvedev, acordaram dar um novo impulso às conversas entre Washington e Moscou para a criação de um novo tratado de desarmamento estratégico para substituir o vigente Start, que vence em dezembro.

 

No ano passado, a ONU apresentou uma proposta de cinco pontos para iniciar um processo de desarmamento, que inclui retomar os esforços para fazer cumprir o Tratado para a Proibição de Testes Nucleares (CTBT, na sigla em inglês) e deter a produção de material necessário para elaborar armas nucleares.

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