700 brasileiros esperam ajuda do governo, diz Itamaraty

Cerca de 700 brasileiros estão esperando um esquema montado pelo governo brasileiro para serem retirados do Líbano e de outros países da região por causa dos ataques israelenses ao país. Quinhentos deles já entraram em contato com o consulado de Beirute, outros 100 com a embaixada de Amã, na Jordânia e o mesmo número com a embaixada de Damasco, na Síria. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, confirmou que a segunda operação para retirada de brasileiros já está sendo montada, mas ainda não tem data prevista."Será o mais rápido possível. Temos um avião que está sendo preparado, mas isso demanda tempo", disse o ministro nesta quarta-feira à noite, depois de uma reunião no Itamaraty com deputados e representantes de associações de muçulmanos e de libaneses no Brasil, muitos deles com parentes no Líbano."Seria cômodo, mas seria falso dizer que vai sair amanhã", afirmou o ministro. A expectativa é que o vôo aconteça no fim de semana. Ainda assim, só uma pequena parcela dos que estão esperando poderá retornar ao Brasil.Um aviãoO governo brasileiro só tem um avião disponível para o transporte, o chamado Sucatão da FAB, que era utilizado pelo presidente, com capacidade para 120 pessoas. Amorim disse que o Itamaraty vai chamar a embaixadora israelense em Brasília, Tzipora Rimon, nesta quinta-feira para falar do conflito e pedir garantias de que os brasileiros não serão atacados durante o trajeto para sair do Líbano. "Se tivermos um comboio brasileiro se deslocando numa estrada queremos ter certeza de que não vai haver bombardeio", afirmou Amorim.O ministro disse que a embaixadora já foi chamada ao Itamaraty duas vezes para tratar do conflito. Desde o início, a diplomacia brasileira vem divulgando notas oficiais condenado o que chama de "desproporção da resposta israelense" aos atos de violência do Hezbollah contra alvos israelenses.Numa nota divulgada nesta quarta-feira à noite, o governo brasileiro "exorta Israel a evitar medidas desproporcionais de represália capazes de contribuir para a deterioração da situação humanitária no território libanês".O governo também critica indiretamente o Hezbollah, ao afirmar que "reitera os termos da Resolução 1559 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que pede o desmantelamento de todas as milícias presentes no Líbano".VítimaO Itamaraty confirma a morte de sete pessoas, mas de acordo com informações de familiares, o número de vítimas teria chegado a dez. De acordo com o Itamaraty, três vítimas ainda não foram identificadas, portanto não podem ser confirmadas como brasileiras.No encontro com o ministro Amorim, representantes de associações de libaneses sugeriram que o país interceda junto a Israel para garantir um cessar-fogo para permitir a retirada dos brasileiros do Líbano. "Queremos participar de um plano emergencial junto com o governo, podemos ajudar, temos pessoas lá", disse o diretor-executivo da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil, Mohamed Hussein El Zoghbi."É um perigo iminente. Europa e Estados Unidos já tiraram seus cidadãos de lá", afirmou. Zoghbi estima que existam atualmente cerca de 30 mil brasileiros - muitos deles também libaneses ou descendentes - em visita ao país no momento. O governo não sabe o número exato de brasileiros vivendo no país, mas estima-se que sejam em torno de 100 mil.Segundo o ministro Celso Amorim, haveria uma outra reunião técnica que começaria na própria quarta-feira à noite para discutir os detalhes de um plano que incluísse as sugestões e ofertas de ajuda das associações.O xeque Ali Abduni, representante dos muçulmanos no Brasil, saiu da reunião se dizendo satisfeito com o empenho oferecido pelo Itamaraty. "Tenho certeza que o Brasil não medirá esforços para retirar os brasileiros que estão ali", afirmou.O secretário-geral das Organizações Libanesas no Brasil, Robert Boudaher, está com a mulher, o filho e a sogra na casa dos pais dele, em Ehden, no norte do Líbano. Ele disse que já providenciou passagens aéreas para a família a partir de Damasco, na Síria, mas que considera muito perigoso o transporte por conta até a fronteira síria, a 150 quilômetros de distância. "O governo brasileiro tem que pedir para Israel parar a guerra contra os civis", diz ele.

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