REUTERS/Jonathan Ernst
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8 razões que fortaleceram Hillary após depoimento sobre Benghazi

Pré-candidata democrata testemunhou em uma sessão que se estendeu por 11 horas na comissão da Câmara dos Representantes, mas conseguiu manter postura e demostrar resistência

O Estado de S. Paulo

28 Outubro 2015 | 07h00

A ex-secretária de Estado e pré-candidata às eleições presidenciais democratas americanas Hillary Clinton assumiu na quinta-feira sua responsabilidade pelo ataque ao consulado americano em Benghazi, na Líbia, em 2012 e garantiu que fez o que pode para enfrentar a situação.

Além de vencer o primeiro debate entre os pré-candidatos democratas, Hillary se destacou por sua postura na sessão de 11 horas na comissão da Câmara dos Representantes, que investiga as mortes do embaixador americano na Líbia, Christopher Stevens, e outros três funcionários. Ela afirmou que, considerando as informações disponíveis na ocasião, a reação do governo americano foi a melhor possível.

Confira abaixo oito razões que, segundo o jornal The Washington Post, não apenas fizeram com que a democrata saísse ilesa da sessão sobre Benghazi, como também a fortaleceram.

O Partido Republicano não deu nenhum golpe concreto

Em determinado momento da sessão, o republicano Trey Gowdy, presidente da comissão, disse aos repórteres presentes que ele não havia aprendido nada de novo com o depoimento de Hillary. “Não sei se ela testemunhou hoje de maneira diferente em relação às outras vezes”, disse ele. Fora da sessão, muitos americanos admitiram que Hillary foi formidável.

Hillary parecia uma lutadora

Um dos problemas de Hillary é que os eleitores dos primeiros estados a serem apurados pensam que ela é um dragão que carece de fogo, e é nessa tecla que Bernie Sanders está batendo. Mas não é essa imagem que ela passou durante a sessão. Na quinta-feira, Hillary se parecia mais com Davi jogando pedras do que com um Golias de armadura.

Candidata ficou acima das disputas políticas

A pré-candidata não parecia estar testemunhando para uma audiência primária democrática, deixando os pontos políticos para seus colegas democratas na comissão, que repetiu muitos dos mesmos pontos que estão sendo destacados em sua campanha. Ela sentou, com uma expressão perplexa, enquanto Gowdy e o líder democrata Elijah Cummings entraram em confronto acaloradamente no momento mais dramático da sessão. Ela apelou por “consenso” e “estadismo” no que se refere à política externa, em um esforço para clarear sua declaração durante o último debate no qual os republicanos são seus “inimigos”.

Compreensiva quando aborrecida

O republicano Mike Pompeo foi ridicularizado, inclusive por líderes conservadores, por pressionar Hillary a responder se o embaixador americano na Líbia, Christopher Stevens, tinha o e-mail pessoal da democrata, número de celular, do fax ou endereço residencial. O argumento de Pompeo, de que o amigo de Hillary, Sidney Blumenthal, tinha mais acesso à democrata do que o embaixador, pareceu indelicado. A republicana Martha Roby se tornou alvo de piadas na internet por perguntar à Hillary se ela passou a noite sozinha depois do ataque em Benghazi. Quando a democrata riu, Martha não entendeu o motivo da risada e ficou chateada.

Hillary não cometeu nenhuma gafe clássica

Ficou muito claro que a democrata se preparou cuidadosamente para a sessão. Essa foi a aparição em que ela mostrou mais força das três relacionadas a Benghazi. O mais importante é que ela evitou dar a seus oponentes um tipo de frase de efeito devastador. Ela cometeu esse erro há dois anos quando disse ao senador Ron Johnson, gesticulando: “Que diferença faz a essa altura do campeonato?” A frase continua a ser um assunto que serve de base para alguns discursos feitos pela campanha republicana.

Evitou ser evasiva

Sentar no principal assento da sessão e ouvir cada uma das perguntas fez Hillary parecer transparente, especialmente depois do escândalo sobre os e-mails. Lembre que George W. Bush concordou em falar sobre o atentado de 11 de setembro na comissão apenas por uma hora - e em particular. Sob juramento, Hillary pode ter sido extremamente cautelosa sobre o que revelou, mas, precisamente por ser uma pré-candidata à presidência, foi surpreendentemente comunicativa.

Hillary parecia presidenciável

A pré-candidata defendeu vigorosamente o relatório de seu Departamento de Estado e mostrou seu entendimento sobre relações exteriores. A democrata chegou como uma pessoa séria e digna, e sua presença encheu o local. Ela contou novamente com muitos detalhes sobre o caos e a incerteza da noite dos ataques: “Foi a névoa da guerra”, disse ela. No momento mais poderoso do dia, declarou: “Eu imagino que pensei mais sobre o que aconteceu do que todos vocês juntos. Eu perdi mais horas de sono do que todos vocês juntos. Eu quebrei a cabeça pensando no que mais poderia ter sido feito ou deveria ter sido feito.”

68 anos com um vigor impressionante

Sem contar as pausas, Hillary, que completou 68 anos na segunda-feira, passou mais de oito horas depondo. Ela tinha uma agenda de campanha intensa no dia seguinte. A sessão trouxe tão poucos argumentos novos que a imprensa conservadora focou nos detalhes. Um veículo local destacou um acesso de tosse da pré-candidata na última hora de seu testemunho. Mas, acima de tudo: a resistência de Hillary foi impressionante.

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