88% de palestinos querem trégua em Gaza, diz pesquisa

Os palestinos estão infelizes com a sua situação econômica, são a favor de um cessar-fogo entre Israel e Palestina e se mostram contra as políticas do partido radical Hamas, indica pesquisa realizada pelo Centro Palestino de Opinião Pública (PCPO, em inglês) entre 25 e 31 de janeiro. Coordenado pelo pesquisador Nabil Kukali com 673 pessoas, o levantamento revela que cerca de 88% dos entrevistados são a favor de um acordo entre Israel e Palestina, 72% consideram a situação econômica da nação negativa e 51% acreditam que o desempenho do Hamas à frente de alguns distritos da nação não tem sido positivo.A pesquisa ainda aponta que o Fatah tem maior apoio dos palestinos que o Hamas, 40% contra 21%. Na Faixa de Gaza, região governada pelo Hamas, o apoio ao Fatah é ainda maior entre os moradores locais (42%). A pesquisa também indica que 46% dos palestinos são a favor de um governo de coalização entre os dois partidos. "Os palestinos não querem conflitos entre Fatah e Hamas", explicou o embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Al-Zeben. "O que querem é uma coexistência pacífica entre cidadãos de mesma crença."Ainda segundo o embaixador, os resultados da pesquisa são previsíveis, uma vez que indicam a opinião pacífica de um território recentemente arrasado pela guerra. "Cerca de 50% das cidades palestinas em Gaza foram destruídas com as incursões israelenses na região. Depois de um conflito bélico, o normal é que se busque a paz."A PCPO também perguntou aos entrevistados sobre as expectativas em relação ao novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Cerca de 42% dos palestinos têm uma opinião positiva sobre Obama e acreditam que ele irá empreender políticas sérias e eficientes para se chegar à paz no Oriente Médio.Eleições Ibrahim Al-Zeben não acredita que as eleições gerais israelenses, marcadas para amanhã, devam mudar a relação entre Palestina e Israel. "Não sou otimista", afirmou. "Acredito que ambos irão manter uma posição ofensiva para com os palestinos." Questionado se tem preferência por um dos candidatos a primeiro-ministro, o embaixador respondeu que não tem um preferido, frisando que essas eleições representam "uma radicalização do povo israelense em favor da guerra".Nesta terça-feira, os israelenses irão definir o próximo primeiro-ministro do país. O favorito na disputa é o ex-premiê Benjamin "Bibi" Netanyahu, líder do partido oposicionista de direita Likud, que viu sua vantagem nas pesquisas se reduzir para um empate técnico com a ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni, do centrista Kadima.

GUSTAVO URIBE, Agencia Estado

09 de fevereiro de 2009 | 17h15

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