'A adesão total à ONU é nosso direito básico'

Ibrahim Alzebem, embaixador da Autoridade Palestina no Brasil

Lisandra Paraguassu, O Estado de S.Paulo

18 Setembro 2011 | 00h00

Por que a Palestina decidiu pedir adesão total à ONU agora?

É nosso direito básico. No mundo atual, em que cada povo tem seu Estado, temos o direito de ter o nosso. A criação do Estado da Palestina era para ter ocorrido em 1947, quando recomendaram a partilha do território. A Palestina deveria ter sido criada ao lado de Israel. É uma questão que nunca foi resolvida.

A inclusão da Palestina como membro da ONU fará diferença para o país nas negociações internacionais?

Sim, tanto nos fóruns internacionais quanto nas relações bilaterais. Fortalecerá as posições dos que querem negociar. Possivelmente não favorecerá o fanatismo de ambos os lados. Fanáticos israelenses, com Binyamin Netanyahu (primeiro-ministro de Israel) e Avigdor Lieberman (ministro de Relações Exteriores), não querem. O obstáculo para alcançar a paz é o fanatismo. E, em primeiro lugar o fanatismo israelense, porque são eles que ocupam nosso território.

Mas também tem fanatismo na Palestina...

Controlar o radicalismo palestino é responsabilidade nossa. Sei que existe violência de ambos os lados. E sabemos que ela não é a solução. Mas o maior terrorismo é a ocupação. Aprovamos a resistência pacífica e consideramos que a solução é a negociação.

A Palestina continuará negociando com Israel?

Respeitaremos o direito internacional, as fronteiras e voltaremos à mesa de negociações. Podemos negociar tudo, menos nossa existência como Estado. Não vou à ONU para obter reconhecimento, isso foi feito por mais de 120 países em atos soberanos. Vou para exigir meu espaço, para ser admitido como Estado.

O sr. citou o chanceler e o premiê de Israel como exemplos dos que não aceitam a Palestina. É possível negociar nessas condições?

Israel tem um sistema democrático e seu povo pode decidir outro destino, por que não? Por que a primavera árabe não chega a Israel? A conversa é difícil, mas a paz se faz entre inimigos. Entre amigos se faz um churrasco.

A Palestina aceitaria o status de Estado não membro das Nações Unidas?

Aceitamos qualquer passo adiante. Mas é apenas o ponto de partida. Não descansaremos até vermos Israel como um país vizinho amigo, sem agressões.

Como o sr. vê a ameaça dos EUA de vetar o pedido palestino no Conselho de Segurança da ONU?

Infeliz. Os Estados Unidos não estão se comportando como superpotência. Um país que tem uma história de mais de 300 anos de liberdade, que atuou na 2.ª Guerra Mundial para libertar o mundo do nazismo, não pode proteger um país agressor. Os Estados Unidos precisam assumir uma posição à altura de sua condição de superpotência responsável. Temos ainda dez dias. Confio que eles revejam sua posição. E também que o povo israelense reconsidere. Ainda tenho esperança de que Israel reconheça a Palestina antes da próxima sexta-feira.

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