A Alemanha entre Schroeder e Stoiber

A três semanas das eleições federais, os alemães continuam divididos entre o social-democrata Gerhard Schroeder, candidato à reeleição, e o democrata-cristão Edmund Stoiber. A última pesquisa de opinião mostra o atual chanceler com 36% das intenções de voto (dois pontos a mais do que no levantamento anterior) e seu adversário com 39%. Schroeder continua crescendo, graças à sua atuação diante das enchentes provocada pelas chuvas nas cidades às margens do Rio Elba e também ao seu desempenho no debate da semana passada - o primeiro na história da Alemanha. A população acompanhou o duelo televisivo com entusiasmo, em bares e restaurantes. Extremamente formal, bem ao estilo alemão, o debate foi conduzido por dois apresentadores, que fizeram perguntas sobre desemprego, integração européia e chuvas. Os principais jornais do país se dividiram: alguns informavam, no dia seguinte, que Schroeder se saíra melhor; outros ressaltavam a atuação de Stoiber. Mas houve alguns consensos: carismático, Schroeder se destacou ao falar sobre a ajuda do governo aos flagelados dos temporais, porém saiu-se mal quando indagado acerca de sua promessa de diminuir o déficit de empregos - calcanhar de Aquiles de sua gestão. Já Stoiber foi bem sucedido ao explorar o ponto fraco do chanceler, mas errou ao se apresentar como representante da Bavária, estado que governa e onde venceu a crise econômica, esquecendo-se do resto da nação. Numa comparação com o debate dos presidenciáveis brasileiros, o confronto foi frio e, por vezes, monótono. As denúncias de corrupção no governo Schroeder - que causaram a renúncia do ministro da Defesa, Rudold Scharping - não foram mencionadas e os candidatos não se olharam nos olhos - era como se o outro não estivesse participando. A maior preocupação dos alemães, e, por isso, a principal questão da campanha, é a falta de postos de trabalho, que atinge atualmente 4 milhões de pessoas (9,7% dos alemães). Schroeder ganhou as últimas eleições, em 1998, prometendo diminuir o número, que era de 4,5 milhões, para 3,5 milhões, até o fim de seu mandato. O alvo principal seriam os jovens. No entanto, ele só conseguiu criar 500 mil empregos. A situação é mais grave na parte oriental, onde 18% da população não encontra trabalho. Na antiga Alemanha Ocidental, o índice é de 7,8%. O erro do chanceler foi afirmar que, se sua meta não fosse atingida, ele poderia ser considerado um fracassado. Hoje, pelas ruas e estações de metrô da Alemanha, vê-se cartazes de propaganda de Schroeder com a frase: "Meu trabalho é fazer com que todos tenham trabalho". A oposição não apresenta proposta interessante para resolver a questão, conforme analisam os representantes dos trabalhadores. O tímido crescimento da economia alemã - um dos mais baixos da União Européia - também preocupa. Desde 2000, quando o país teve desempenho excepcional para seus padrões (crescimento de 3%), os índices não têm sido animadores, consideram os analistas. Em 2001, por causa dos atentados terroristas de 11 de setembro, a taxa foi de 1%. Para este ano, a expectativa era de fechar dezembro com 0,75%, mas, no primeiro semestre, o número ficou em 0,6%. O crescimento esperado para 2003 é de 2% a 3%. Desde as chuvas torrenciais que causaram danos avaliados em mais de 15 bilhões de euros, Schroeder vem se beneficiando de sua condição de chanceler. Stoiber só foi duas vezes aos pontos mais castigados, e brevemente. Schroeder brilhou. Passou a imagem de estar preocupado com os desabrigados, tocado com o drama vivido por eles. Foram destinados pelo governo 5 bilhões de euros para ajudá-los.

Agencia Estado,

29 Agosto 2002 | 15h13

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