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A ameaça da deflação

 A alta dos preços teve uma desaceleração em toda a Europa. Umacatástrofe. Em abril, houve aumento de 1,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Em

Gilles Lapouge,

18 de maio de 2013 | 02h00

outras épocas,ou mesmo em outros países, a notícia seria acolhida com entusiasmo. Na Europa, é o contrário. Os banqueiros estão alarmados.

Os especialistas meditam. Os políticos se perguntam como bloquear essa queda.

Por que o mal-estar? Seria de imaginar o contrário, ou seja, neste período em que os europeus carecem de dinheiro e diminuem suas compras, a tranquilidade dos preços instigaria as pessoas a consumirem mais, azeitando assim a máquina econômica. Mas não! É o inverso que os especialistas temem, que os preços estáveis acionem o mecanis moinfernalchamadodeflação.O círculo perverso se delinearia desta maneira:como os preços mostram tendência de queda, empresas e indivíduos

adiam suas compras, esperando novas quedas. Ou seja, a deflação paralisa a atividade.

Além do mais, quando um país ou uma zona entram em deflação é difícil escapar dela.Um exemplo célebre deste fenômeno é Japão,há 20 anos vítima

da deflação.

O que inquieta é que esse declínio da inflação é explicado pela crise que assola a Europa há três anos. E os paí ses onde a desaceleração é mais marcante são exatamente os do sul da Europa, os mais violentamente afetados pelacrise. Na Grécia, país mais golpeado pela crise, os preços caíram em abril pelo segundo mês consecutivo (0,6%). Em Chipre chegaram quase à imobilidade (0,1%) e em Portugal 0,4%. Na França, o aumento foi de 0,7% o que significa que os preços recuaram 0,1% em um mês.

O mecanismo é ainda mais nefasto porque uma estagnação dos preços,ou mesmo uma queda,é acolhida com gritos de alegria pela população de países desprovidos de dinheiro, como a Gré cia. Portanto é muito complicado para os governos explicarem aos seus cidadãos pobres,cada vez mais empobreci dos, que farão todo o possível para conter a queda e elevar o custo de vida.

Estes perigos são bem conhecidos do Banco Central Europeu (BCE). Mas o banco hesita em adotar alguma ação,conscientede que é muito delicado anunciar para populações empobrecidas que adotará medidas para aumentar o custo de vida, e assim levá-las a morrer de fome. Portanto o BCE resignou-se a fazer um pequeno esforço, reduzindo a sua taxa básica em 0,25ponto,O objetivo é conseguir que a taxa de inflação europeia chegue a 2%.

Quanto ao exemplo do Japão,que citamos acima, deve ser usado com nuanças. Se é verdade que este país poderoso há muito tempo está atolado na deflação e na estagnação, precisamente agora se percebe um princípio de saída dessa armadilha de flacionária. O Japão lançou um programa ambicioso de compra de ativos.

E esta semana Tóquio publicou os dados do seu crescimento. Que estão em alta, o que significa que os japoneses enfim conseguiram romper as amarras que o estrangulam há 20 anos. 

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