'A Argentina costuma dar um nó na cabeça das pessoas'

Observador privilegiado do cotidiano portenho há mais de 15 anos, o correspondente do Estado em Buenos Aires, Ariel Palacios, oferece um guia para ajudar os vizinhos brasileiros a fugir do lugar comum do tango e da rivalidade futebolística entre os países. Autor de Os Argentinos, que chega hoje às livrarias, Palacios ressalta que a Argentina é um país muito complexo. "A Argentina é um país que costuma dar um nó na cabeça das pessoas", diz. "Como explicar algo como o peronismo, que os próprios argentinos já acham bastante difícil de entender, por exemplo?" A seguir, trechos da entrevista:

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2013 | 02h06

Como surgiu a ideia de escrever o livro?

Pouco depois de chegar a Buenos Aires, vi que a Argentina era um país tremendamente complexo, com uma série de clichês. O objetivo desse livro é explicar a Argentina para o brasileiro, que é algo imprescindível. A Argentina, às vezes, é um país que dá um nó na cabeça das pessoas. Mas levou muito tempo até concretizar esse objetivo.

Você diz no livro que o Brasil não é o maior rival futebolístico da Argentina. Quem é, então? O Chile?

O Chile foi mais um rival geopolítico do país, com a questão do Canal de Beagle, que os argentinos nunca engoliram. No caso da Grã-Bretanha, tem o encontro do futebol com a política, por causa da Guerra das Malvinas (Falklands, para os britânicos). Para a Argentina, a pole position da rivalidade é a Grã-Bretanha. Os gols mais celebrados e mais lembrados são os de Maradona contra os britânicos na Copa de 1986.

No caso dos argentinos, a frase do Galvão Bueno ("Ganhar é bom, ganhar da Argentina é melhor") seria "Ganhar do Brasil é bom e ganhar da Grã-Bretanha é excelente". Trata-se de um caso de uma rivalidade não correspondida.

Os argentinos têm muita admiração pelo Brasil, na verdade. Qual o motivo disso?

Nos últimos 5 , 6 anos os argentinos começaram a ver um Brasil diferente. Há um tipo de idolatria do Brasil. Os empresários argentinos morrem de inveja de entidades como a Fiesp, por exemplo. Os políticos, de esquerda e direita, invejam os políticos brasileiros.

O intercâmbio de turistas ajudou nisso?

Muito. Pelo menos um terço de todos os argentinos já esteve no Brasil. Do motorista ao milionário. E o contrário está começando agora.

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