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A armadilha de Mueller para pegar Trump

Procurador especial parece querer pegar o presidente não pelo conluio com os russos, mas por eventuais contradições em seu depoimento à Justiça

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

02 Dezembro 2018 | 03h00

A confissão de Michael Cohen, o ex-advogado de Donald Trump envolvido em negociatas suspeitas, faz lembrar a frase célebre do caso Watergate: “Não é o crime, é o acobertamento”. O procurador especial Robert Mueller parece querer pegar Trump não necessariamente pelo conluio com os russos, mas por eventuais contradições ou mentiras em seu depoimento à Justiça.

Mueller só tornou oficial a nova confissão de Cohen depois que os advogados de Trump entregaram as respostas às questões detalhadas dos investigadores, encaminhadas por escrito. De acordo com Rudolph Giuliani, defensor de Trump, não há contradição entre o que Cohen confessou e o que Trump respondeu. Apesar de Trump ter assinado uma carta de intenções para erguer uma torre de cem andares em Moscou, diz Giuliani, as negociações naufragaram.

A dúvida é quando. Antes, Cohen dizia que em janeiro de 2016, antes das primárias que sagraram Trump candidato. Agora, afirma que em julho, depois que o Washington Post revelou a ação de hackers russos contra a campanha de Hillary Clinton. Pode ser a diferença entre um negócio banal fracassado e um crime. Ninguém sabe que prova Cohen entregou para corroborar sua versão de que Trump era informado sobre cada passo das negociações com os russos. Ou melhor: Mueller sabe.

Guerra comercial

O custo eleitoral da retaliação da China à soja

A consequência mais eloquente da guerra comercial deflagrada por Trump foi a queda nas exportações americanas de soja para a China, resultado das retaliações – 98%, de janeiro a setembro, segundo o Deutsche Bank. Mas o efeito nas urnas foi pequeno. Nas eleições de novembro, republicanos obtiveram vitórias relevantes nos maiores Estados produtores de soja: Illinois, Iowa, Minnesota, Nebraska, Dakota do Norte e Indiana.

Eleições

Quem acertou resultado das urnas nos EUA

O estatístico Nate Silver foi quem se deu melhor na previsão do resultado das eleições para a Câmara nos Estados Unidos. Pelo seu modelo, os democratas conquistariam 39 cadeiras a mais do que tinham e, na soma dos votos, teriam vantagem de 8,7% sobre os republicanos. Pois conquistaram 40 e, até a última sexta-feira, somavam mais de 60 milhões de votos, com 8,4% de vantagem, número que subirá até o final da apuração na Califórnia. Na disputa para acertar o nome dos novos deputados, o campeão foi David Wasserman, do Cook Political Report. Cravou o vencedor em 430 dos 435 distritos.

Fashion

As roupas preferidas da direita trumpista

A preferência política se reflete na escolha das roupas, revelou na conferência Business of Fashion, em Londres, Chris Wylie, informante que desmascarou o uso ilegal de dados pela Cambridge Analytica (CA) na campanha de 2016. Partidários de Trump manifestavam interesse por marcas como Wrangler, L.L.Bean, Hollister e Lee. A CA analisava a “estética” da direita populista e usava tais informações nos programas que veiculavam anúncios eleitorais.

Guerra ao terror

Novo documento revela ideólogo do EI

A história do Estado Islâmico (EI) sofreu uma reviravolta com a descoberta de um documento de 93 páginas: a biografia de Abu Ali al-Anbari, um iraquiano que, segundo o pesquisador Hassan Hassan, foi o artífice da ideologia mortífera do grupo terrorista. Hassan acredita que Anbari, morto em 2016, foi mais influente que o jordaniano Abu Musab al-Zarqawi, antes visto como pai espiritual do EI.

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