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A ascensão de Elizabeth Warren nas primárias democratas nos EUA

Mercados de apostas já dão a senadora democrata como favorita nas prévias contra Joe Biden e Bernie Sanders

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2019 | 05h00

Depois do megacomício em Washington Square, em Nova York – ela ainda tirava selfies com jovens quatro horas depois do final –, e do desempenho no último debate, a senadora Elizabeth Warren desponta como principal desafiante do ex-vice-presidente Joe Biden nas primárias democratas. 

Antes de Nova York, Warren já atraíra multidões em Seattle, St. Paul (Minnesota), Austin (Texas) e fora mais ovacionada que o rival Bernie Sanders numa convenção em New Hampshire.

Multidões não são sinônimo de vitória, mas sinal de ascensão. Os mercados de apostas já dão Warren como favorita nas prévias. No Election Betting Odds, ela tinha 36,4% de chance na sexta-feira e subira 2 pontos em uma semana (ante 25,2% de Biden e 10,5% de Sanders).

Biden ainda aparece em primeiro nas pesquisas, na faixa dos 30%. A esta altura da corrida, contudo, nem 10% dos democratas definiram voto. Warren já pontua acima dos 20%, se distancia de Sanders (o terceiro, com 16%) e, em Iowa, Estado cujas convenções inauguram as primárias, em fevereiro, lidera com 23,5% (ante 20,6% de Biden).

Sua estratégia para Iowa, onde a escolha se dá por convencimento em reuniões conhecidas como “caucus”, envolve um trabalho de base intenso, semelhante ao que projetou Sanders em 2016.

A equipe local é comandada por ex-partidários de Sanders e tem atraído até eleitores de Donald Trump, num Estado tradicionalmente republicano.

Se vencer as primárias, o maior desafio de Warren será conquistar eleitores brancos sem nível universitário, núcleo do eleitorado trumpista. Em especial, nos Estados críticos: Michigan, Minnesota e Pensilvânia. Outro desafio, já nas primárias, será crescer entre negros e minorias, fatia do eleitorado democrata que resiste a seu estilo de professora universitária, branca e de tom elitista.

A principal cartada de Warren para convencê-los é o programa econômico de tons populistas. Ela adotou o projeto de saúde universal gratuita de Sanders (sem detalhar como financiá-lo), quer impor uma taxa anual de 2% sobre fortunas superiores a US$ 50 milhões e conclama as massas a uma guerra contra corruptos, bancos e grandes corporações.

Seu discurso esquerdista não pega muito bem com os moderados, nem com Wall Street ou com outros doadores tradicionais dos democratas.

Quanto renderiam os US$ 0,02 sobre fortunas? 

A proposta de taxar fortunas em US$ 0,02 por dólar rendeu um bordão repetido em comícios de Elizabeth Warren: “Dois centavos!”. Qual seria o impacto da medida? Na estimativa dos economistas Emmanuel Saez e Gabriel Zucman, a receita anual ficaria entre US$ 60 bilhões e US$ 180 bilhões, dependendo da evasão fiscal (o déficit primário americano está em US$ 1 trilhão).

“Uma taxa sobre riqueza mal projetada produz muita evasão e pouca receita”, escrevem. “Mas aprendemos lições sobre como projetá-la.” Nas contas de Larry Summers e de Natasha Sarin, a arrecadação seria menor, da ordem de US$ 25 bilhões.

Economista de Chicago ataca monopólios digitais

Crítico da intervenção do Estado nos mercados, o economista Luigi Zingales tem provocado uma inflexão no pensamento associado à Universidade de Chicago. Desde os trabalhos de Aaron Doctor, nos anos 50, é consenso por lá que o governo só deve combater monopólios em caso de dano claro ao consumidor (como alta de preços), não para preservar a competição em si.

Predominante, desde os anos 70, tal pensamento preservou as gigantes do Vale do Silício, cujos produtos costumam ser gratuitos. Zingales agora defende a quebra dos monopólios digitais. “O mundo mudou, Chicago precisa mudar também”, diz.

Um prêmio para ar-condicionado eficiente

Sai em novembro o resultado do Global Cooling Prize, que dará US$ 3 milhões a projetos de ar-condicionado capazes de quintuplicar a eficiência energética a um custo inferior ao dobro do atual. O ar-condicionado representa um ciclo danoso para o clima.

]Seu uso aumenta com o aquecimento global, ele consome mais energia, produz mais emissões de gases, contribuindo para aumentar a temperatura ainda mais. Para deter a escalada, dizem os organizadores, seria preciso que modelos mais eficientes estivessem disponíveis já em 2022 e conquistassem 80% do mercado até 2030.

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