AP Photo/Jacquelyn Martin
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A atração dos jovens pelos Verdes

Vocabulário ambientalista faz mais sentido para a nova geração que começa a ver em símbolos como o carro um sinal de desperdício

Jim Hoagland / Washington Post, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2019 | 05h00

Como começamos a ver também nas eleições dos EUA, as questões que mobilizam os eleitores hoje são culturais, em vez de econômicas e de garantia do pão de cada dia. A raça, o aborto e o pânico cultural desencadeados pela queda das taxas de natalidade e políticas de identidade agora dominam o ninho político.

As tiradas de Trump contra o comércio têm um componente econômico real, é claro. Mas o fator estrangeiro – a sensação de que trabalhadores americanos e europeus foram tratados injustamente por estrangeiros – se transformou na força política dominante do dia em ambos os lados do Atlântico.

A xenofobia e o racismo não são novos na política dos EUA ou da Europa, é claro. O que é novo é a escala da ruptura social causada pela chegada onipresente e aparentemente instantânea das mídias sociais, a revolução das comunicações e outras novas tecnologias, globalmente.

As instituições de governança e de política estão atrasadas em relação à corrida da tecnologia. Essa, penso eu, é uma das razões para a súbita ascensão dos Verdes sobre os partidos tradicionais na França, na Alemanha e em outros países da UE.

Uma grande mudança cultural, por exemplo, está em andamento à medida que os cidadãos mais jovens começam a abandonar a propriedade do carro, que já foi um poderoso símbolo de riqueza e independência, mas hoje cada vez mais é visto como parte de um estilo de vida de desperdício e poluição. O vocabulário verde sobre esta questão pode fazer mais sentido culturalmente para eleitores jovens.

Trump como sempre vai mais longe. Seu objetivo final é nada menos que a cadeia de suprimentos global que as corporações multinacionais e os acordos comerciais criaram nos últimos 40 anos para facilitar a passagem de capital, produtos e ideias. Isso é muito para morder, mastigar e explicar em termos eleitorais, então ele usa estupradores mexicanos, terroristas muçulmanos e tecnologia secreta de roubo da Huawei como seus símbolos dos perigos. / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

*É EDITOR

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