A audaciosa cartada de Sarkozy em favor da intervenção

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, está orgulhoso, e com razão. Conseguiu a aprovação da ONU para uma intervenção militar no conflito na Líbia com o objetivo de frear o punho do coronel Muamar Kadafi. Sarkozy está muito satisfeito, principalmente porque a questão era muito difícil e mal encaminhada. Difícil porque a China e a Rússia, pouco desejosas de ver um dia a ONU imiscuir-se na Chechênia ou no Tibete, não tinham nenhuma vontade de se envolverem com a Líbia.

Gilles Lapouge, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2011 | 00h00

Mal encaminhada porque, na semana passada, Sarkozy havia estendido a mão aos seus aliados decretando sozinho que o mundo livre escorraçaria Kadafi do poder. O golpe de Sarkozy foi tão mal recebido pelos países vizinhos que temeu-se que o tiro saísse pela culatra. Felizmente, não foi o que ocorreu.

Os adversários da intervenção temem que os povos da região a considerem uma nova agressão "antiárabe" do Ocidente, uma jogada neocolonialista, uma ação do lobby ocidental. Aliás, é por isso que o chanceler francês, Alain Juppé, insistiu tanto sobre dois temas. Primeiro, que nenhum soldado desembarcará na Líbia. Por fim, que não haja duelos entre Ocidente e Oriente.

A França lamenta a abstenção do mundo emergente, os quatro grandes: China, Rússia, Índia e Brasil. "Esses quatro países", nota o jornal Le Monde, "são os que há duas semanas estavam prestes a acusar Kadafi de crimes contra a humanidade". Finalmente, Paris deplora que a Alemanha tenha também optado pela abstenção na ONU. Por que recusou a intervenção? Evidentemente, por causa da tradicional desconfiança alemã das aventuras bélicas, temendo que Kadafi, hoje odiado e desprezado pelo mundo inteiro, possa encontrar, graças à ONU, a posição do mártir e a do ex-colonizado atacado pelos países do Ocidente. / TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA

É CORRESPONDENTE EM PARIS

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