Miraflores Palace/Handout via REUTERS
Miraflores Palace/Handout via REUTERS

À beira do default, Venezuela enfrenta dia crucial com os credores

Governo realizará em Caracas reunião crucial com credores para discutir renegociação da dívida externa ao mesmo tempo que proprietários de bônus examinarão em NY atraso nos pagamentos; UE adota um embargo de armas e marco jurídico para sanções

O Estado de S.Paulo

13 Novembro 2017 | 09h52

CARACAS - A Venezuela realiza nesta segunda-feira, 13, uma reunião crucial com os credores em Caracas para discutir o plano de renegociação da dívida externa, ao mesmo tempo que os proprietários de bônus examinarão em Nova York o atraso nos pagamentos, entre fortes temores de um default.

+Estratégia de Caracas é reflexo da gravidade da crise venezuelana

O presidente Nicolás Maduro afirmou que a Venezuela "nunca" se declarará em default, ao renovar o convite aos proprietários de títulos para o encontro às 16 horas (horário de Brasília) para renegociar a dívida de seu país e da petroleira PDVSA, de quase US$ 150 bilhões.

"Eles jogam para que a Venezuela se declare em default. Nunca! O default nunca chegará à Venezuela. Nossa estratégia é renegociar e refinanciar toda a dívida", afirmou Maduro no domingo.

Analistas não acreditam na possibilidade de sucesso da reunião, pois as sanções dos Estados Unidos contra a Venezuela proíbem a seus investidores negociar a dívida venezuelana. Quase 70% dos donos de títulos são americanos e canadenses.

Para complicar ainda mais o cenário, Maduro nomeou como principais negociadores o vice-presidente Tareck El Aissami e o ministro das Finanças Simón Zerpa, que entraram em uma lista de sanções de Washington e com os quais os cidadãos americanos não podem tratar da questão.

Em Nova York, o comitê da Associação Internacional de Swaps e Derivativos (ISDA, na sigla em inglês), que reúne proprietários de títulos da dívida, examinará o atraso no pagamento de US$ 1,161 bilhão do bônus 2017 da PVDSA, que o governo afirma já ter transferidos, mas que os credores não haviam recebido até sexta-feira.

Uma falta de pagamento pode ser declarada pelas agências de classificação, pelo governo ou pelos grandes credores. Por este motivo, uma avaliação negativa da ISDA resultaria em um default e no pagamento dos seguros CDS (Credit Default Swaps, em inglês).

As agências Fitch, Standard and Poor's e Moody's rebaixaram a nota da dívida ante a possibilidade de uma cessação de pagamentos do país a curto prazo. Madurou acusou as agências de "politizar" a questão e afirmou que elas integram a "guerra financeira" comandada pelos EUA.

Analistas concordam que a Venezuela, com uma economia devastada e reservas internacionais de apenas US$ 9,7 bilhões, terminará em default, mas divergem sobre quando isto acontecerá. 

Sanções

Para aumentar a pressão internacional, os chanceleres da União Europeia (UE) adotaram nesta segunda-feira uma série de medidas, incluindo um embargo de armas e um marco jurídico sobre futuras sanções contra "responsáveis por graves violações dos direitos humanos", com o objetivo de "favorecer" o diálogo na Venezuela.

"O Conselho (da UE) decidiu, por unanimidade adotar medidas restritivas, ressaltando sua preocupação com a situação no país", indicou esta instituição europeia em um comunicado, minutos depois do início da reunião de chanceleres em Bruxelas.

As medidas contemplam um "embargo de armas e de material relacionado que poderia ser usado para a repressão interna, assim como um marco legal para a proibição de viajar e o congelamento de ativos" para responsáveis por violações dos direitos humanos no país.

Os chanceleres da UE decidirão quem submeter a sanções em uma fase posterior, mas disseram que se concentrarão nas forças de segurança e em ministros e instituições de governo acusados de violações de direitos humanos e de “desrespeito aos princípios democráticos ou ao Estado de Direito”. / AFP e REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.