AP Photo/Rui Vieira
AP Photo/Rui Vieira

A busca desesperada de pais e filhos após atentado em Manchester

Diversas famílias estão usando as redes sociais para tentar encontrar informações sobre parentes ainda desaparecidos

O Estado de S.Paulo

23 Maio 2017 | 10h55

MANCHESTER, REINO UNIDO - A angústia domina nesta terça-feira, 23, pais e filhos que não conseguiram se reencontrar após o atentado na Manchester Arena, realizado ao fim de um show da cantora pop americana Ariana Grande.

As redes sociais estavam repletas de pedidos de ajuda para encontrar parentes. No hotel Holiday Inn, vizinho à Manchester Arena, mais de 40 jovens aguardavam por seus pais após o ataque da noite de segunda-feira. A ação de um homem-bomba deixou 22 mortos e 59 feridos, entre eles 12 crianças, segundo autoridades.

Charlotte Campbell afirmou a vários canais de televisão que não conseguia encontrar a filha Olivia, de 15 anos. "Tudo o que sei é que estava na Manchester Arena com uma amiga assistindo a Ariana Grande e ainda não apareceu", disse ao programa "Good Morning Britain".

"Não consigo entrar em contato com ela. Liguei para hospitais, para todos os lugares, os hotéis onde afirmaram que as crianças estavam esperando”, disse Charlotte aflita. "Liguei para a polícia. Não há notícias, tenho que esperar. Estou em casa se ela aparecer.”

As vítimas foram levadas para oito hospitais da cidade, explicou a polícia. Os parentes aguardam notícias sobre o estado de saúde delas, enquanto as unidades pediátricas recebem doações de sangue em meio ao fluxo intenso de pessoas.

"Obrigado por pensar em doar sangue neste momento", disse Mike Stredder, diretor de doações de sangue da região. "No momento temos todo o sangue necessário para os pacientes", completou, antes de pedir que as pessoas mantenham o compromisso de doação nos próximos dias, "particularmente no caso do grupo O negativo."

No estádio Etihad, sede do clube de futebol Manchester City e próximo ao local do show, as autoridades instalaram um centro de recepção de vítimas e parentes. No local era possível observar o reencontro emocionante de algumas pessoas.

Hayley Adamson, de 23 anos, e Poppy Conlon, de 25 anos, levaram doces e revistas para as crianças. "Nós trouxemos comida, revistas, doces, chocolates, batatas fritas, sanduíches, qualquer coisa para as crianças", explicaram, antes de informar que deixaram tudo na recepção e não tiveram acesso às famílias.

Muitos usavam as redes sociais para buscar informações de parentes. "Meu irmão continua desaparecido. Independente de como isto acabar, estarei aqui, ao lado da minha cidade. Não há nada mais que possamos fazer, exceto ficar juntos hoje", escreveu Dan Hett sobre seu irmão Martin, antes de pedir doações de sangue.

Um casal de adolescentes, Liam Curry e a namorada, seguem desaparecidos. O primo do jovem afirmou a uma rádio local que "Liam perdeu o pai há alguns meses, então faziam coisas para superar o luto, como ir ao show". "Todo mundo acreditava que teriam um momento feliz, até que acordamos esta manhã.’

Lauren Dale também usou a rede social para buscar informações. "A amiga de minha mãe Alison Howe e sua amiga continuam desaparecidas após o atentado na Manchester Arena na noite passada. Por favor, entrem em contato se ouvirem algo.” / AFP

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