A busca por uma nova política de reforma e abertura

Análise: Stephen S. Roach / NYT

É MEMBRO DA UNIVERSIDADE YALE, EX-CHAIRMAN DO MORGAN STANLEY ASIA, AUTOR D "THE NEXT ASIA" , O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2012 | 02h03

Hoje na China não há muito debate sobre estratégia econômica. Os chineses aceitaram a necessidade de um importante reequilíbrio do seu modelo de crescimento - mudar a estratégia conduzida por investimentos e exportações dos últimos 33 anos e atrair cada vez mais apoio dos seus 1,3 bilhão de consumidores.

Esse plano foi explicado pela primeira vez pelo premiê Wen Jiabao há mais de cinco anos, quando fez a avaliação de que a economia chinesa é "instável, desequilibrada, descoordenada e (em última instância) insustentável". O que levou à promulgação do 1.º Plano Quinquenal em 2011, cuja implementação foi retardada.

Essa tarefa cabe agora aos novos líderes ungidos no Congresso do partido.

Ao tentar decifrar as discussões no Congresso, a chave pode estar no script de Deng Xiaoping. No chamado Terceiro Plenário da 11.ª reunião do Comitê Central do Partido Comunista no final de 1978, Deng percebeu a urgência e a necessidade imprescindível de uma transição pós-Mao e forjou um novo rumo para o país com duas palavras simples: "reforma e abertura". Nos anos que se seguiram, este mantra foi traduzido em ações por um milagre de desenvolvimento sem precedentes durante 30 anos.

Do mesmo modo que Deng encontrou a resposta para os imperativos de uma transição na China, realizando um maremoto de reformas, a mesma oportunidade aguarda a próxima China.

Três grandes iniciativas são necessárias para tornar o Plano Quinquenal, direcionado para o consumo, uma realidade. Em primeiro lugar, a China precisa adotar um grande conjunto de regras destinadas a uma abertura do seu setor de serviços. A segunda maior economia do mundo não pode se permitir ter um setor de serviços que representa apenas 43% do seu PIB, muito abaixo das taxas verificadas em outras grandes economias da Ásia, como Índia, Coreia e Taiwan, e muito aquém dos 75% verificados nas economias avançadas.

O crescimento do setor de serviços propiciaria a infraestrutura para a demanda do consumidor, especialmente em setores de distribuição negligenciados como o comércio varejista e atacadista, a logística da cadeia de suprimentos e transporte doméstico. Os serviços exigem 35% mais de empregos por unidade de produção e consomem menos recursos naturais e energia.

Em segundo lugar, a China precisa acabar com a insegurança financeira da sua população resultante de programas sociais permeáveis. Apesar dos avanços consideráveis na criação de planos de aposentadoria e saúde nacionais, esses programas ainda se ressentem da escassez de financiamento, que limita os benefícios.

Em terceiro lugar, a China precisa de uma nova rodada de reformas das estatais. A primeira onda de reformas no final dos anos 90 aumentou a eficiência da economia. O enxugamento, a consolidação e o registro das ações das empresas estatais em mercados de capital mundiais estão no centro de um novo modelo empresarial na China.

Mas o que se verifica é um retrocesso neste campo, especialmente após a crise de 2008-2009, quando bancos estatais canalizaram um estímulo fiscal maciço para as empresas estatais.

O premiê Wen alertou para os riscos deste recuo, especialmente aqueles apresentados por um sistema bancário cada vez mais concentrado. Novas reformas no campo empresarial são o único antídoto.

Depois de duas décadas de grandes reformas, o ímpeto diminuiu nos últimos 10 anos. O legado de Deng esvaneceu-se na corrida para um rápido e vigoroso crescimento. Mas sem reformas e abertura o milagre chinês não teria ocorrido. Um empurrão similar é vital para a China avançar para a próxima etapa desta sua formidável jornada para o desenvolvimento. O 18.º Congresso do Partido Comunista revelará o pleno compromisso da China com sua nova estratégia. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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