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A ‘captura do Estado’ na África do Sul

Esquema envolvendo o ex-presidente Jacob Zuma e os irmãos Gupta também teve participação de duas estrelas do mundo dos negócios: KPMG e McKinsey

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

18 Fevereiro 2018 | 06h00

“Captura do Estado” é o termo que entrará nos livros de história para descrever a cleptocracia sem paralelo que tomou conta da África do Sul na última década. Como demonstra o relatório concluído pela protetora pública Thuli Madonsela, em outubro, as decisões do ex-presidente Jacob Zuma eram tomadas em conluio com os Guptas, três irmãos que mantinham uma vasta rede de negócios escusos, mandavam nos ministérios e queriam até acabar com a independência do banco central. A revelação de mais de 100 mil e-mails no escândalo conhecido como #Guptaleaks derrubou Zuma e não terminou de fazer estrago. Entre as dezenas de empresas envolvidas no capitalismo de quadrilha praticado pelos Guptas estão duas estrelas do mundo dos negócios: KPMG e McKinsey.

A KMPG fez vista grossa ao desvio de pelo menos US$ 2,6 milhões em dinheiro público para pagar o casamento de uma Gupta. Ainda elaborou um relatório fajuto insinuando a cumplicidade do então ministro das Finanças, desafeto dos irmãos, com corrupção no Fisco. Foi obrigada a voltar atrás. Como resultado, caíram o presidente e toda a cúpula da KPMG na África do Sul. 

A McKinsey, segundo as denúncias, foi cúmplice da consultoria Trilllian, ligada aos Guptas, na lavagem de parte dos US$ 152 milhões recebidos por um contrato com a estatal elétrica Eskom. A Alta Corte de Pretória decretou o congelamento dos bens da McKinsey e da Trillian no país.

• O ‘jovem Corbyn’ contra Merkel

Falta a aprovação dos 464 mil integrantes do Partido Social Democrata (SPD) alemão para a coalizão com a União Democrata-Cristã (CDU) e a União Social-Cristã (CSU) conferir enfim à chanceler Angela Merkel a maioria para governar a Alemanha. O líder da ala jovem do SPD, Kevin Kühnert, de 28 anos, lidera uma campanha contra a coalizão. Kühnert diz que o SPD deveria fazer oposição no Parlamento. Pelas ideias radicais de esquerda, ele vem sendo comparado ao trabalhista britânico Jeremy Corbyn.

• O naufrágio do SPD na Alemanha

Estável em 33% da preferência popular no tracking semanal da Infratest, o partido de Merkel, parece, conteve sua queda. O SPD, em contrapartida, continua em desintegração. Depois da votação mais baixa em décadas (20,5%), leva apenas um ponto porcentual de vantagem sobre o nacional-populista AfD, 16% a 15%.

• Inteligência artificial contra jihadismo

O governo britânico investiu £ 600 mil para financiar um software capaz de detectar 94% da propaganda do Estado Islâmico. YouTube e Facebook afirmam dispor de ferramentas próprias que removem, respectivamente, 98% e 99% do conteúdo jihadista. O Counter Extremism Project argumenta que não deveria caber ao contribuinte pagar por isso, mas às empresas, cujas iniciativas têm, até agora, sido ineficazes.

• Erro no comparecimento afetou pesquisas

A avaliação incorreta do comparecimento às urnas é a principal responsável por erros cometidos em pesquisas eleitorais recentes, em especial sobre o Brexit e Donald Trump, sugere um estudo das universidades de Manchester e de Oxford. As distorções nas bases de dados usadas para avaliar quantidade e proporção de votantes chegam a 11,5 pontos porcentuais, no registro britânico, e a 20, no americano.

• Carro elétrico mais barato até 2020

É inevitável a eletrificação do transporte urbano ao longo dos próximos anos. Em 2020, a queda no custo das baterias tornará os carros elétricos tão baratos quanto os movidos a combustível fóssil, diz um estudo da Bain Company para o Fórum Econômico Mundial. A infraestrutura urbana de recarga inteligente exigirá investimentos de US$ 2,4 trilhões.

• Mais tempo diante de telas que na escola

Crianças de 8 a 12 anos passam mais tempo diante das telas de celular, tablets e TVs do que na escola - 32 horas semanais, segundo uma pesquisa do DQ Institute em 29 países. Metade acessa a internet por meio de celulares, 85% têm contas em redes sociais e 56% (ou 260 milhões) estão sujeitas a riscos como bullying digital, vício em videogames, encontros offline e ameaças sexuais. Em 2020, serão 390 milhões, num total de 720 milhões online - 90% em países emergentes.

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