AFP PHOTO / GABRIEL BOUYS
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A carta do líder catalão e a resposta do governo de Madri

Carles Puigdemont disse que não declarou independência, mas ameaçou fazê-lo; ao rebater essas afirmações, premiê Mariano Rajoy afirmou que avançará no recurso que pode levar à suspensão da autonomia da Catalunha

O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2017 | 09h52

BARCELONA, ESPANHA - O ultimato que o governo central espanhol deu ao líder catalão, Carles Puigdemont, para que esclareça se declarou independência da região ou não passou por mais uma etapa de textos que distancia ainda mais as opiniões de cada um.

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Em sua carta, Puigdemont respondeu que não havia declarado a independência, mas ameaçou fazê-lo. Como resposta, em um comunicado, o governo espanhol anunciou que avançará nos trâmites que podem culminar na suspensão da autonomia da Catalunha.

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Veja abaixo os pontos principais de cada um dos textos.

Carta de Puigdemont a Rajoy

“Caro Presidente Rajoy,

O povo da Catalunha, no dia 1.º de outubro, optou pela independência em um plebiscito com o apoio de uma grande porcentagem de eleitores. Uma porcentagem superior à que permitiu ao Reino Unido iniciar o processo do Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia).”

“No dia 10 de outubro, o Parlamento realizou uma sessão com o objetivo de avaliar o resultado do plebiscito e seus efeitos; e na qual propunha deixar suspensos os efeitos desse mandato popular.”

“Isso foi feito para permitir o diálogo. (...) Nesse sentido, em minha carta de segunda-feira, propus realizar uma reunião que, no entanto, não foi feita.”

“Também não foi aceito o pedido de reverter a repressão. Ao contrário, ela foi intensificada e levou à prisão do presidente da Òmnium Cultural e do presidente da Assembleia Nacional Catalã, entidades de trajetória cívica, pacífica e democrática.”

“Esta suspensão continua vigente.”

“Que a única resposta seja a suspensão da autonomia, indica que não há consciência do problema e não se quer falar sobre ele.”

“Se o governo do Estado persiste em impedir o diálogo e continuar a repressão, o Parlamento da Catalunha poderá proceder, se julgar apropriado, de forma a votar a declaração formal de independência que não votou no dia 10 de outubro.”

Resposta do governo de Rajoy

“O governo da Espanha constatou às 10h desta manhã (6h em Brasília), último prazo estabelecido, a negativa do presidente da Generalitat (sede do governo catalão) em atender ao requerimento que foi emitido no dia 11 de outubro.”

“Como consequência, o governo da Espanha continuará com os trâmites previstos no Artigo 155 da Constituição para restaurar a legalidade no autogoverno da Catalunha.”

“No próximo sábado, o Conselho de Ministros, reunido de forma extraordinária, aprovará as medidas que serão decididas pelo Senado a fim de proteger o interesse geral dos espanhóis, entre eles, os cidadãos da Catalunha, e restaurar a ordem constitucional na Comunidade Autônoma.”

O governo “denuncia a atitude mantida pelos responsáveis da Generalitat de buscar, deliberada e sistematicamente, o confronto institucional apesar do grave dano que está se causando à convivência e à estrutura econômica da Catalunha”.

“O governo colocará todos os meios a seu alcance para restaurar o quanto antes a legalidade e a ordem constitucional, recuperar a convivência pacífica entre cidadãos e frear a deterioração econômica que a insegurança jurídica está provocando na Catalunha.” / AFP

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