JEAN-SEBASTIEN EVRARD / AFP
JEAN-SEBASTIEN EVRARD / AFP

A catedral de Notre-Dame resistiu à revolução e a duas guerras

Edificação foi depredada, serviu de depósito e quase foi destruída pelos alemães na 2ª Guerra

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2019 | 05h00

A catedral de Paris,  consumida nesta segunda-feira, 15, pelas chamas, é uma sobrevivente da insanidade do homem. Resistiu aos implacáveis revolucionários jacobinos e a duas guerras mundiais. “Sem dúvida, ainda hoje, a igreja de Notre-Dame de Paris é um majestoso e sublime edifício”, escreveu Victor Hugo, em 1831, no romance conhecido como O Corcunda de Notre-Dame.

Com o triunfo do iluminismo, a religião havia se tornado inimiga da razão. Durante a Revolução Francesa, igrejas foram saqueadas e destruídas. Na Île de la Cité, coração de Paris, havia 17. Sobraram duas: a Notre-Dame e a vizinha Sainte-Chapelle.

Na fase mais violenta, durante o Terror, os revolucionários depredaram a fachada, derrubando as 28 estátuas dos reis de Judá. Os rebeldes descontrolados achavam que eram monarcas franceses. Decapitaram todos.

Em 1793, a catedral foi convertida por decreto em “templo da razão”, frequentado por ateus. Com o tempo, virou um depósito e estava caindo aos pedaços quando Victor Hugo resgatou a Notre-Dame com a história de Quasímodo, o corcunda que vivia no campanário e era apaixonado pela cigana Esmeralda. 

Na 1.ª Guerra, bombardeios alemães destruíram a catedral da cidade de Reims, 130 quilômetros ao norte da capital, mas o avanço das forças imperiais foi contido a poucos quilômetros de Paris, poupando a cidade da destruição. Anos depois, no entanto, a França inteira caiu sob domínio da Alemanha nazista – e o destino da Notre-Dame poderia ter sido diferente.

Em agosto de 1944, o general Dietrich von Choltitz, governador militar da capital ocupada, recebeu um telegrama de Adolf Hitler. “A cidade não deve cair nas mãos do inimigo, a não ser que esteja devastada”, dizia a mensagem. Em suas memórias, publicadas nos anos 50, Von Choltitz garante que desobedeceu o Führer e salvou os principais símbolos da cidade. “Ele estava louco”, escreveu.

Recentemente, no entanto, historiadores franceses trataram de diminuir a façanha do general alemão. Com os aliados se aproximando rapidamente de Paris e as tropas alemãs recuando, Choltitz não teria homens nem equipamento suficiente para destruir a cidade, nem que ele quisesse. 

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