Ernesto Benavides/AFP
Ernesto Benavides/AFP

A corrida presidencial no Peru: 18 candidatos e nenhum favorito nas pesquisas

Com apenas quatro pontos de diferença entre o primeiro e o sétimo colocado, eleição pode ser a mais polarizada da história

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2021 | 15h00

LIMA - Os peruanos vão às urnas neste domingo, 11,  para eleger um novo presidente que terá que enfrentar a emergência sanitária, a crise política e a recessão econômica, em uma disputa acirrada entre 18 candidatos, sem favoritos. 

A campanha ocorreu em meio à segunda onda da pandemia, que elevou as infecções a números alarmantes nos últimos dias, enquanto a incerteza eleitoral abala os mercados, elevando a cotação do dólar a um recorde de 3,8 sóis. 

Em um país onde o líder é mais importante do que a ideologia, existem 10 candidatos de direita e centro-direita, quatro de esquerda, três nacionalistas e um de centro. 

Nenhum ultrapassa 10% das intenções de voto, o que prevê uma definição no segundo turno em 6 de junho. 

O ex-legislador de centro-direita Yonhy Lescano (10%) lidera as pesquisas, seguido pela antropóloga de esquerda Verónika Mendoza e o economista de direita Hernando de Soto (ambos com 9%), de acordo com uma pesquisa da Ipsos divulgada no último domingo, 4.

Outros candidatos são o ex-jogador George Forsyth (centro-direita), o empresário Rafael López Aliaga (extrema direita), o professor Pedro Castillo (esquerda) e Keiko Fujimori (direita populista). A filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), atualmente na prisão, concorre pela terceira vez, agora com um partido enfraquecido. 

Como a distância entre o primeiro e o sétimo candidato é de apenas quatro pontos, esta será "a eleição mais polarizada da história", segundo o chefe da Ipsos Peru, Alfredo Torres. 

O presidente interino em final de mandato Francisco Sagasti não se candidatou.

Além disso, o Congresso unicameral de 130 membros será renovado no domingo, após crises políticas recorrentes desde 2016, que atingiram seu auge em novembro, quando o país teve três presidentes em cinco dias.

Em novembro, milhares de peruanos foram às ruas em repúdio à repentina desituição pelo Congresso do popular presidente Martín Vizcarra (centro-direita), que agora busca uma cadeira parlamentar. 

Ele foi substituído por Manuel Merino, um político discreto de centro-direita da Ação Popular, que renunciou cinco dias depois. 

A nomeação de Sagasti encerrou os protestos, que deixaram dois mortos e cem feridos. 

Comícios de "alto risco"

Os candidatos realizaram comícios com centenas de pessoas enquanto o país registra um recorde de quase 13 mil casos de coronavírus e 294 mortes por dia. 

No Peru, mais de 1,5 milhão de pessoas foram infectadas e quase 53 mil morreram com a doença.

Os candidatos "intensificaram suas campanhas, praticamente todos realizaram atividades com alto risco de transmissão" do vírus, disse à Agência France-Presse Augusto Tarazona, chefe da Comissão de Saúde Pública da Faculdade de Medicina. 

Três candidatos contraíram covid-19, o último deles foi Forsyth. 

Mesmo antes da campanha, era difícil evitar multidões no país, onde 70% dos trabalhadores está na informalidade e que passa por uma recessão após uma quarentena de mais de 100 dias. 

Depois de crescer durante anos acima da média latino-americana, a economia peruana contraiu em 11,12% em 2020, o pior número em três décadas. 

O setor de hotelaria e restauração foi o mais afetado (-50,45%), em um país que recebe quatro milhões de turistas por ano, atraídos pelo seu patrimônio arqueológico e famosa gastronomia. 

Quatro milhões de peruanos perderam seus empregos devido à pandemia e cinco milhões ficaram pobres. 

Agora, um terço dos 33 milhões de habitantes vive na pobreza, segundo dados oficiais.

Na floresta, serra e costa

A votação de domingo acontecerá em todas as cidades da floresta amazônica, planalto andino e litoral, incluindo Lima. 

Os primeiros resultados oficiais da presidência deverão ser conhecidos por volta da meia-noite local, mas a contagem de votos parlamentares pode demorar alguns dias. 

Mais de 25 milhões de cidadãos são convocados às urnas. Destes, um milhão vota no exterior, mas 100 mil eleitores que estão no Chile não poderão comparecer às urnas devido à quarentena no país. /AFP

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